São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Operação investiga uso de emendas e outros repasses no filme sobre Bolsonaro

Produção é alvo de três inquéritos que apuram possíveis desvios, contratos irregulares e financiamento privado.

Operação investiga uso de emendas e outros repasses no filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira (10) a operação Make Up para investigar um possível esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação teve 29 alvos, entre eles o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, dona da Go Up Entertainment.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e é conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Ao todo, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

A investigação identificou um fluxo financeiro entre Frias, entidades beneficiadas por suas emendas, empresas contratadas por essas entidades e a Go Up Entertainment. A produtora movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025. Segundo os investigadores, há coincidência entre os repasses de emendas e despesas relacionadas ao filme.

“As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados”, afirmou a Polícia Federal em nota. Os suspeitos são investigados por peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A apuração também considera suspeitas de contratações fraudulentas, documentos retrodatados e desvios de dinheiro público, que teriam continuado até julho de 2026.

Frias e Gama estão entre os principais alvos. A investigação analisou contratos do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura, ambos presididos por Gama, com empresas ligadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores parlamentares e seu advogado. Os envolvidos foram proibidos de deixar o país e de manter contato entre si. Eles não se manifestaram após a operação.

Investigação sobre contrato de wi-fi

A Polícia Civil de São Paulo apura um contrato do Instituto Conhecer Brasil com a prefeitura da capital para instalar 5.000 pontos de wi-fi gratuitos em áreas vulneráveis. O acordo começou em R$ 108 milhões e chegou a R$ 157 milhões após um aditivo.

A suspeita é que R$ 26 milhões tenham sido direcionados à Go Up Entertainment. O inquérito foi prorrogado por 90 dias em 31 de agosto. O pedido da Polícia Civil para acessar os dados financeiros de Gama e de suas empresas não foi autorizado por falta de indícios individualizados que justificassem a quebra do sigilo.

O Instituto Conhecer Brasil foi o único a apresentar proposta na licitação de 2024, embora não tivesse experiência anterior nesse serviço. O Tribunal de Contas de São Paulo havia recomendado que a prefeitura não prosseguisse com o edital, mas o prefeito Ricardo Nunes decidiu pela contratação.

Dos 5.000 pontos previstos para funcionar até junho de 2025, 3.200 haviam sido instalados. A manutenção mensal de cada ponto era cobrada pelo instituto por R$ 1.800, enquanto a Prodam prestava o mesmo serviço por R$ 306.

Gama afirma que o contrato é regular e não tem relação com “Dark Horse”. Nunes declarou que o serviço foi prestado e que as pessoas têm acesso ao wi-fi gratuito. Segundo ele, se a investigação ocorreu por causa do filme, trata-se de “perseguição política”.

Repasse ligado ao Banco Master

Outro inquérito no Supremo, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga repasses feitos por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro para financiar o filme sobre seu pai. Flávio é investigado no caso.

A apuração teve novo desdobramento com o acordo de delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, homologado na quarta-feira (9) por Mendonça. Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.

De acordo com a delação, Mineiro fez sete pagamentos para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A investigação ainda não esclareceu como os recursos transferidos ao fundo foram usados nem o valor total pago por Vorcaro.

A Polícia Federal apura se parte do dinheiro financiou despesas de Eduardo no exterior, hipótese negada pelo ex-deputado. Também não está esclarecido o que Vorcaro receberia em troca do investimento no filme.

Em maio, Flávio teria pedido US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) a Vorcaro para financiar a produção. Inicialmente, o senador classificou o pedido como “mentira”; depois, negou irregularidades e afirmou que buscava patrocínio privado para um filme sobre a história do próprio pai.

Flávio declarou que o último repasse de Vorcaro ocorreu em maio de 2025 e prometeu prestar contas em 30 dias. Em setembro de 2025, porém, Vorcaro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, dias depois de o senador cobrar parcelas atrasadas.

O total enviado por Vorcaro ao filme foi de US$ 12,3 milhões, equivalente a R$ 62,7 milhões. O caso envolve ainda a aplicação de R$ 1,8 bilhão por ao menos 18 fundos de pensão de servidores estaduais e municipais em títulos financeiros do Banco Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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