O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou seu ciclo de discursos no terceiro mandato na Assembleia-Geral da ONU com uma defesa central da soberania brasileira. A fala ocorreu 12 dias antes do primeiro turno da eleição, que opõe Lula a Flávio Bolsonaro (PL), aliado do governo de Donald Trump.
Ao se dirigir ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, Lula criticou a atuação das grandes potências e retomou temas tradicionais da diplomacia brasileira. Entre eles estavam a reforma do Conselho de Segurança da ONU, o fortalecimento do Sul Global e o combate às desigualdades.
O presidente também mencionou o reconhecimento, pelas Nações Unidas, do tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade da história e a mudança do mapa-múndi. Ao tratar das guerras, citou Yasser Arafat e Ytzhak Rabin como líderes que defenderam planos de paz no Oriente Médio nos anos 1990, mas tiveram seus projetos derrotados por extremistas.
A soberania apareceu como eixo do discurso. Lula afirmou que o Brasil não deve aceitar interferências em seus processos eleitorais nem a divisão do mundo em áreas de influência. Ele também respondeu a documentos recentes do governo Trump sobre o combate ao crime organizado e às medidas adotadas pelos Estados Unidos contra facções criminosas brasileiras, classificadas como terroristas em junho.
O governo Lula contestou essa classificação, enquanto Flávio Bolsonaro e outros candidatos à Presidência a defenderam. No discurso, o presidente disse que o Brasil deve assumir a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras e pela segurança da população.
Lula ainda abordou a agenda ambiental, o combate multilateral à desigualdade e os riscos associados à inteligência artificial. Ao mencionar o papa Leão 14, acrescentou uma referência ao público brasileiro e afirmou que seu governo pretende impor limites às bets. Também declarou que o país não aceitará esse modelo de negócio.
Na parte final, o presidente relacionou o discurso à eleição e afirmou que a democracia brasileira deve ser protegida por seus cidadãos, com participação de uma imprensa livre. A fala de 2026 foi a quarta e última de Lula na ONU durante seu terceiro mandato.
Os discursos anteriores
Em 2023, no retorno à tribuna da ONU, Lula defendeu a reforma da organização, o combate à fome e à desigualdade e a agenda ambiental. O discurso ocorreu após a tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e o presidente afirmou que a democracia havia permitido superar o ódio, a desinformação e a opressão.
Em 2024, a proximidade da COP no Brasil, prevista para 2025, levou o presidente a enfatizar a questão ambiental. Lula criticou o negacionismo climático e apresentou ações de seu governo contra o desmatamento e o garimpo. Na ocasião, enfrentava questionamentos sobre sua liderança climática por causa da intenção de explorar petróleo na Foz do Amazonas.
Em 2025, a Assembleia-Geral ocorreu dias depois da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. O processo foi relacionado ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Lula voltou a criticar o unilateralismo, enquanto Donald Trump utilizou parte de seu próprio discurso para elogiar o presidente brasileiro.








