O ministro André Mendonça retirou, na madrugada de sexta-feira (11), o sigilo de parte dos processos relacionados ao Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal. A medida foi tomada após solicitação do presidente da corte, Edson Fachin, antes da sessão de terça-feira (15), que decidirá se o tribunal abrirá investigação contra Alexandre de Moraes.
Parte dos documentos permaneceu protegida para não prejudicar investigações em andamento. Moraes criticou a divulgação seletiva e pediu a publicação integral do material. Fachin determinou que Mendonça liberasse todos os documentos em 24 horas.
Informações sobre a prisão de Vorcaro
Os documentos indicam que Daniel Vorcaro teve conhecimento antecipado da Operação Compliance Zero, que o prendeu na noite de 17 de novembro de 2025. A Polícia Federal antecipou a diligência por considerar que havia risco de fuga. No dia seguinte, agentes cumpriram mandados de busca e prisão, enquanto o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master.
Em 17 de outubro de 2025, integrantes da Polícia Federal e do Banco Central participaram de uma reunião restrita sobre investigações sigilosas envolvendo o banco. Quatro dias depois, Vorcaro registrou no celular nomes de agentes, delegados e procuradores envolvidos no caso. Em 30 de outubro, anotou quais servidores do Banco Central considerava aliados.
Na manhã de 17 de novembro, mensagens com o advogado Walfrido Warde mostram que Vorcaro reservou um voo para o exterior. Naquela noite, foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para Malta. A Polícia Federal afirmou que houve vazamento de informações funcionais do Banco Central e acesso privilegiado a dados do Judiciário.
Servidores e contratos
Relatórios da Polícia Federal apontam que Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, então diretores afastados do Banco Central, atuavam como consultores informais de Vorcaro. Eles mantinham um grupo no WhatsApp para discutir estratégias e revisar documentos sensíveis. Segundo os investigadores, também intervieram em temas de supervisão bancária em favor do Banco Master.
Os documentos tornados públicos incluem dois contratos do banco e da empresa Viking Participações Ltda. com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes. O primeiro, assinado em janeiro de 2024, previa R$ 131 milhões em 36 parcelas, com valor líquido de R$ 108 milhões. O segundo, negociado em maio de 2025, previa R$ 50 milhões líquidos em 36 meses, mas não foi assinado.
O material também reúne cerca de 50 mensagens entre Moraes e Vorcaro. As conversas tratavam de encontros e da possibilidade de o banqueiro ser alvo de uma operação. As respostas do ministro não foram identificadas porque eram enviadas em notas com visualização única, e a perícia analisou apenas o celular de Vorcaro.
Inquérito sobre “Dark Horse”
Mendonça também tornou pública a decisão que abriu, em julho, um inquérito contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”. O pedido partiu da Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão foi divulgada, mas a investigação continua sob sigilo.
A Polícia Federal afirma que Flávio era interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas sobre o filme e aponta a participação de Eduardo Bolsonaro e do advogado Paulo Calixto na estruturação dos repasses. Antonio Carlos Freixo Junior confirmou a transferência de R$ 62 milhões a um fundo administrado por Calixto.
Segundo delação de um operador de Vorcaro, o banqueiro desembolsou R$ 61 milhões no projeto, cujo total prometido era de R$ 134 milhões. Flávio afirmou que se tratava de financiamento privado para um projeto privado. Em evento de campanha em Manaus, na sexta-feira (11), disse ser positivo “tirar o sigilo de tudo”.








