São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Cinco leituras para repensar a família e seus papéis sociais

A socióloga Marília Moschkovich reúne obras que analisam a família, o cuidado, a sexualidade e as relações de poder.

Cinco leituras para repensar a família e seus papéis sociais

A socióloga Marília Moschkovich indica cinco livros para questionar a família como forma universal de organização da vida social. As obras discutem temas como sexualidade, cuidado, violência, trabalho doméstico, parentesco e desigualdade de poder.

A seleção parte da ideia de que a categoria família produz efeitos concretos no cotidiano e na formação da subjetividade. Também apresenta as noções vigentes sobre sexualidade, alteridade, cuidado e violência. Moschkovich observa que diferentes sociedades não se organizaram historicamente por meio dessa instituição e propõe uma análise crítica de seus usos e significados.

As obras escolhidas

Teoria crítica da família — Mark Poster (Zahar, 1979)

O livro articula teoria crítica, psicanálise e estudos da sexualidade para investigar os pressupostos que sustentam a primazia da família na organização da vida social sob o capitalismo. A obra foi produzida em um contexto em que a sexualidade ganhava espaço em diferentes áreas, enquanto a teoria crítica ainda havia dedicado pouca atenção ao tema e à própria família.

Outra gravidez é possível: Feminismo contra a família — Sophie Lewis (Elefante, 2026)

Resultado da tese de doutorado da autora, o livro discute a gestação de substituição remunerada e a invisibilidade da gravidez e do parto como trabalho. A edição brasileira tem prefácio e revisão técnica de Bruna Graziuso, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A reflexão chega a uma crítica à família como forma prioritária de organização do trabalho de cuidado.

Por um comunismo transexual — Mario Mieli (Boitempo, 2023)

Escrito na década de 1970, o livro examina a heterossexualidade como elemento das construções econômicas, políticas, afetivas e familiares. Mieli questiona a separação entre produção e reprodução e defende que uma transformação social deveria incluir o abandono da heterossexualidade como eixo da organização social.

Colcha de retalhos: Estudos sobre a família no Brasil — vários autores (Brasiliense, 1982)

A obra reúne estudos sobre a produção brasileira nas ciências sociais e sobre a passagem entre os estudos da família e a consolidação dos estudos de gênero. O capítulo de Mariza Correa, “Repensando a família patriarcal brasileira”, critica a narrativa tradicional sobre a instituição familiar no país e destaca relações de cooperação, parentesco e cuidado que ficaram fora dos registros oficiais.

O livro também aborda trabalho doméstico, unidades familiares de produção rural e violências intrafamiliares.

Freud e o casamento: O sexual no trabalho de cuidado — Maíra Marcondes Moreira (Autêntica, 2023)

A autora investiga a relação entre o casamento monogâmico heterossexual e a expectativa de que a esposa exerça uma função quase maternal em relação ao marido. A partir de uma leitura feminista de Freud, o livro articula psicanálise e filosofia para discutir a divisão do trabalho de cuidado e do trabalho erótico e sexual doméstico.

Marília Moschkovich é professora doutora do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e coordena o IMPAR – Laboratório de Estudos Críticos da Família. Sua pesquisa trata de gênero, sexualidade e estudos críticos da família.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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