São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Brasil

Cinco leituras sobre poesia, memória e liberdade no surrealismo brasileiro

Seleção de Guilherme Ziggy reúne obras que abordam religiões afro-brasileiras, linguagem, erotismo, história e experiência surrealista.

Cinco leituras sobre poesia, memória e liberdade no surrealismo brasileiro

O surrealismo brasileiro aparece em uma seleção de cinco livros organizada pelo poeta Guilherme Ziggy. As obras percorrem diferentes momentos do movimento e apresentam caminhos ligados à pesquisa das religiões afro-brasileiras, à experimentação da linguagem, ao erotismo, à memória e à reconstrução histórica.

A presença de Benjamin Péret ocupa um dos pontos de partida dessa trajetória. Poeta, militante revolucionário e um dos fundadores do surrealismo, o francês viveu no Brasil entre 1929 e 1931 e retornou em 1955. Nesse período, pesquisou culturas populares, religiões de matriz africana e a resistência dos negros brasileiros. Também se interessou pelo Quilombo dos Palmares e pela Revolta da Chibata.

Cinco caminhos de leitura

Em Candomblé e macumba (100/cabeças, 2026), Péret reúne relatos de experiências em terreiros cariocas, publicados originalmente como uma série de reportagens no jornal Diário da Noite, entre 1930 e 1931. A edição, traduzida por Bruno Costa, inclui notas e referências bibliográficas sobre a pesquisa e suas fontes.

A linguagem experimental está no centro de No temporal, de Decio Bar (Massao Ohno, 1965). O livro apresenta uma “novel poema” em que narrativa, delírio e poesia se misturam por meio da associação livre e da escrita automática.

O erotismo aparece em O dia dos cinco orgasmos, de Leila Ferraz (MamaQuilla, 2024). Integrante do Grupo Surrealista de São Paulo e uma das organizadoras da 13º Exposição Internacional do Surrealismo, Ferraz articula desejo, corpo e maravilhoso em uma poesia livre.

Já A aventura surrealista, de Sergio Lima (Editora da Unicamp, Editora Unesp e Vozes, 1995), reconstrói a história do movimento e sua trajetória no país. Lima defende o surrealismo como uma opção do espírito relacionada à poesia, ao amor, à liberdade e à transformação da vida.

Por fim, Volta, de Claudio Willer (Iluminuras, 2000), transforma memória, viagem e experiência em matéria poética. A obra recupera a São Paulo dos anos 1960 e dialoga com André Breton, especialmente com Nadja, de 1928, e O amor louco, de 1937.

A seleção também passa pela atuação coletiva do Grupo Surrealista de São Paulo, formado a partir dos anos 1960, e pelo grupo DeCollage, que mantém encontros, exposições, publicações e intervenções. Entre os nomes ligados a essa história estão Sergio Lima, Leila Ferraz, Paulo Antonio Paranaguá e Raul Fiker.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5