São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Painéis solares reduzem custo da energia para famílias vulneráveis no México

Programa subsidiado pelo governo mexicano beneficiou milhares de famílias, mas especialistas dizem que a iniciativa ainda é insuficiente.

Painéis solares reduzem custo da energia para famílias vulneráveis no México

Painéis solares estão sendo usados para reduzir o custo da eletricidade de famílias de baixa renda em cidades do norte do México, onde o calor extremo amplia a necessidade de ar-condicionado. Em Mexicali, o programa Sol do Norte subsidia a instalação dos equipamentos em moradias vulneráveis.

Yolanda Hernández vive no bairro Ángeles de Puebla com o companheiro e o filho Angel, de 21 anos. Em agosto de 2025, Mexicali registrou 52,7 °C. Para manter a casa refrigerada, a família chegou a pagar três mil pesos mexicanos por mês, o equivalente a R$ 900.

A renda mensal da família é de seis mil pesos mexicanos. O valor também precisa cobrir a terapia psicológica do filho, que custa mil pesos mensais, ou R$ 300, além das despesas básicas. “Era difícil pagar [a conta de luz], porque não teria condições de arcar com a terapia”, disse Hernández.

Redução nas contas

Hernández entrou no programa em julho de 2025, e os painéis foram instalados em sua casa em novembro do mesmo ano. Depois da instalação, a conta passou a variar entre 500 e mil pesos mexicanos por mês, ou entre R$ 150 e R$ 300.

A Secretaria de Bem-Estar Social do estado da Baixa Califórnia informou que 5.134 famílias de Mexicali e San Felipe receberam o benefício entre março de 2025 e julho de 2026. Segundo a secretaria, os lares reduziram em 60% os gastos anuais médios com eletricidade, com economia de até 85% durante os meses de maior consumo no verão.

O Sol do Norte foi anunciado em março de 2025 pela presidente Claudia Sheinbaum. O programa prioriza famílias com menores de idade, idosos, mães solo e pessoas com deficiência. Em maio deste ano, autoridades de Sonora anunciaram a expansão da iniciativa para cinco mil residências em Hermosillo.

Ativistas e acadêmicos afirmam que muitas famílias ainda não foram atendidas. Entre as medidas consideradas necessárias estão o aumento dos subsídios às contas de energia e a troca de eletrodomésticos antigos por modelos mais eficientes.

Calor e saúde

A família de Hernández usa ar-condicionado desde que chegou a Mexicali, há 20 anos. O fornecimento de energia foi interrompido várias vezes por falta de pagamento. Sem refrigeração, o calor dentro da residência se torna perigoso para o filho de Hernández e para o companheiro, que trabalha como jardineiro sob o sol.

“O desenvolvimento mental do meu filho está na metade da sua idade real; por isso, para ele, o calor é como deixar uma criança exposta ao sol”, afirmou Hernández. Entre março e setembro, 56 pessoas morreram na Baixa Califórnia em razão do calor extremo, de acordo com dados do Ministério da Saúde do México. A maioria dos casos teve relação com insolação, e ao menos três foram causados por desidratação.

Mexicali também instalou pontos de hidratação para prevenir problemas de saúde relacionados às altas temperaturas. A cidade alerta, desde a aprovação da Lei Geral de Mudanças Climáticas do México, em 2012, para os impactos do calor sobre a saúde pública, a produtividade e o consumo de energia.

Limites do programa

Gabriela Muñoz Meléndez, professora da Faculdade da Fronteira Norte do México, avaliou uma iniciativa anterior, o programa do Vale das Missões, lançado em 2007. O projeto forneceu energia solar e isolamento térmico a 220 moradias populares, mas alguns moradores usaram os painéis como mesas e outros retiraram o cobre.

Para Muñoz, novos projetos devem incluir inventários dos eletrodomésticos, substituição dos equipamentos menos eficientes e análises estruturais e elétricas das residências.

Uma análise do Ministério da Energia publicada em 2022 estima que até 46,6 milhões de mexicanos vivem em situação de pobreza energética. O estudo também aponta que 18% dos domicílios situados ao longo da fronteira com os Estados Unidos estão nessa condição.

Sergio Tamai García, da Frente Cívica de Mexicali, afirmou que o grupo reuniu mais de 600 reclamações sobre contas de eletricidade. Uma delas chegou a 90 mil pesos, ou R$ 27 mil, em uma cidade onde o salário mínimo é de 441 pesos, equivalente a R$ 132 por dia.

As tarifas de eletricidade foram definidas pela Comissão Nacional de Águas com base em dados de temperatura média. Em Mexicali, o limite usado foi de 33 °C, mas a média deve aumentar entre 1,7 e 1,9 °C de 2010 a 2039. Tamai tenta negociar com autoridades federais uma redução da tarifa. Em julho, a temperatura chegou a 51,9 °C, e ainda ocorreram cortes de energia.

Outras iniciativas

A experiência mexicana se soma a projetos nos Estados Unidos. O Boston Medical Center mantém o programa Prescrição de Energia Limpa, que transforma a geração de seus painéis solares em créditos para pacientes de baixa renda.

Em Phoenix, o governo local e a Solar United Neighbours instalaram sistemas de energia renovável em dez residências entre 2023 e 2024. Cada família economiza, em média, quase US$ 1 mil por ano. Em Chelsea, uma microrrede solar administrada pela prefeitura e idealizada pela GreenRoots abastece prédios e poderá beneficiar famílias de baixa renda.

Patricia Fabián, do Instituto para a Sustentabilidade Global da Universidade de Boston, afirma que os benefícios dos painéis para a saúde costumam receber menos atenção do que a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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