São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

PF e PGR recusaram três versões de acordo oferecidas por Daniel Vorcaro

Propostas foram consideradas insuficientes; a mais recente cita políticos e operações com fundos públicos e o BRB.

PF e PGR recusaram três versões de acordo oferecidas por Daniel Vorcaro

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República recusaram propostas de colaboração premiada apresentadas por Daniel Vorcaro ao longo de 2026. As autoridades avaliaram que o banqueiro não trouxe informações inéditas suficientes, apresentou relatos seletivos ou contradisse elementos já reunidos nas investigações sobre o Banco Master.

A terceira versão inclui acusações contra Antônio Rueda e ACM Neto, dirigentes do União Brasil. Segundo Vorcaro, os dois teriam atuado para aproximar o banco de institutos de previdência estaduais, com previsão de comissão sobre os investimentos. Rueda negou irregularidades, enquanto ACM Neto classificou as informações como “insinuações absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”.

Três tentativas de acordo

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025. No dia seguinte, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no sistema financeiro nacional relacionadas à emissão de créditos falsos. Na mesma data, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Depois de permanecer preso por 10 dias, o banqueiro passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Ele foi detido novamente em 4 de março de 2026, por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Vorcaro está em uma cela individual no complexo da Papuda, em Brasília.

Após a segunda prisão, a defesa procurou a Polícia Federal para negociar uma delação. A primeira proposta foi rejeitada em 21 de maio. Na avaliação dos policiais, o banqueiro não havia apresentado elementos novos além dos obtidos na Operação Compliance Zero. A oferta previa a devolução de R$ 60 bilhões aos cofres públicos.

A PF também apontou que Vorcaro teria omitido informações sobre sua relação com Flávio Bolsonaro. A primeira versão não mencionava pedidos de dinheiro relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”. José Luís de Oliveira Lima, então advogado do banqueiro, deixou o caso um dia depois da rejeição.

A segunda proposta foi encaminhada à PF e à PGR em 1° de junho. Ela ampliava os temas apresentados anteriormente e incluía informações sobre o financiamento do filme, além de relatos sobre pagamentos a Ciro Nogueira. Um relatório da PF apontou repasses mensais de cerca de R$ 300 mil ao senador, que teriam somado pelo menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025.

A proposta foi recusada pela PF em 10 de junho e pela PGR em 15 de junho. As autoridades consideraram que Vorcaro ainda não havia fornecido informações inéditas suficientes, teria contradito elementos obtidos pela perícia e não teria formalizado um compromisso para devolver recursos aos cofres públicos.

Acusações sobre fundos e o BRB

Na terceira proposta, Vorcaro afirmou que Rueda e ACM Neto teriam atuado para levar recursos de fundos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá, do Amazonas e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro ao Banco Master. A comissão prevista seria de 10% sobre os investimentos captados.

De acordo com o banqueiro, as articulações teriam levado R$ 2 bilhões ao Master. Nesse cálculo, a remuneração de cada político chegaria a R$ 200 milhões, embora Vorcaro não tenha informado se os valores foram efetivamente pagos.

Os fundos de previdência de servidores estaduais e municipais haviam aplicado recursos em letras financeiras do banco. Entre os investidores citados estão fundos do Amapá, do Rio de Janeiro, do Amazonas e de 15 municípios de São Paulo, Goiânia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Alagoas e Pernambuco. O Rio de Janeiro colocou quase metade do total de seus fundos no banco. Essas aplicações não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos.

A proposta também menciona uma operação envolvendo o Banco de Brasília. O BRB tentou comprar 58% do capital do Master, mas o negócio foi vetado pelo Banco Central. Segundo Vorcaro, o Master teria colocado R$ 750 milhões no BRB, que, em troca, teria comprado R$ 6 bilhões em carteiras do banco. Rueda e Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, teriam exigido 10% de comissão, ainda conforme o relato do banqueiro.

Rueda declarou que não teve acesso ao documento e que os contratos de seu escritório são lícitos. A defesa de Ciro Nogueira negou ilicitudes e afirmou que o senador está à disposição da Justiça.

Outros relatos e avaliação dos investigadores

A terceira versão manteve informações sobre doações para as campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo em 2022. Vorcaro afirmou que Fabiano Zettel, seu cunhado, repassou R$ 5 milhões às campanhas.

Segundo o banqueiro, os valores fariam parte de uma negociação para manter em São Paulo o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores públicos ligado a uma empresa associada ao Master. Ele citou também Gilberto Kassab. Tarcísio chamou a acusação de propina de “ridícula” e afirmou que as doações seguiram as normas legais. Kassab negou envolvimento, pediu apuração e classificou os fatos narrados como “fantasiosos”.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal podem dificultar o avanço da terceira proposta. Em depoimento à PF em agosto, Vorcaro afirmou que não tinha influência no Banco Central nem havia recebido informações privilegiadas. Conversas encontradas pelos investigadores, porém, indicariam o contrário.

O acordo de colaboração começa com negociações sigilosas entre o investigado, a defesa e a polícia ou o Ministério Público. Depois de firmado, o juiz responsável faz a homologação e verifica se os requisitos formais foram cumpridos, se a colaboração foi voluntária e se os benefícios são adequados.

No caso do Banco Master, a avaliação é que Vorcaro ainda precisa apresentar fatos desconhecidos dos investigadores. Sem isso, as informações divulgadas permanecem sem validade comprobatória para o acordo e têm impacto principalmente no campo político e na opinião pública.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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