SÃO PAULO — A divulgação de uma pesquisa AtlasIntel com empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno alterou o comportamento dos ativos brasileiros nesta quinta-feira, 10. O dólar à vista terminou o pregão a R$ 5,1027, com baixa de 0,19%, enquanto o Ibovespa subiu 1,42%, para 188.268,59 pontos.
A moeda americana chegou a R$ 5,0830 no momento de maior valorização do real. O movimento ocorreu mesmo com o índice DXY, referência para o dólar no exterior, em alta de cerca de 0,30% no fim da tarde. A sessão internacional foi marcada pela maior aversão ao risco e pela alta do petróleo, cujo contrato do Brent avançou 6,34%, a US$ 107,63 o barril.
Pesquisa e apostas influenciam os negócios
A melhora dos ativos locais ganhou força no fim da manhã, após sinais de crescimento de Flávio Bolsonaro, candidato do PL, em casas de aposta como a Polymarket e suspeitas de vazamento de dados da AtlasIntel. Divulgado às 14h30, o levantamento apontou 46,4% das intenções de voto para Flávio e 46,2% para Lula na simulação de segundo turno.
Em comparação com a pesquisa de agosto, Flávio avançou 3,8 pontos porcentuais, enquanto Lula recuou 0,9 ponto. A divulgação do empate técnico reduziu parte dos ganhos do real durante a tarde.
Para Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, o comportamento da moeda refletiu principalmente as expectativas eleitorais. “O real se descolou dos pares muito por conta do cenário eleitoral”, afirmou. Segundo ele, o mercado também passou a considerar uma possível mudança na política fiscal.
O Ibovespa movimentou R$ 30 bilhões e acumulou alta de 6,11% em setembro. No mercado de opções, operadores observaram aumento das compras de calls e call spreads, instrumentos usados para apostar na valorização dos ativos. As operações envolveram tanto o BOVA11 quanto o EWZ, ETF ligado a ações brasileiras negociado em Nova York.
Norberto Sangalli, broker de renda variável da Nippur, disse que as posições passaram a se concentrar em outubro, antes do pleito. Roberto Moura, da Grand Capital Invest, identificou concentração de negócios em calls com preços de exercício próximos de 200 mil e 210 mil pontos do Ibovespa, especialmente para o vencimento de novembro.
Cenário internacional e atuação do Banco Central
No exterior, o euro recuou apesar de o Banco Central Europeu ter elevado os juros em 0,25 ponto porcentual. Nos Estados Unidos, as taxas dos Treasuries subiram, e as chances de o Federal Reserve elevar a taxa básica em 25 pontos-base na próxima quarta-feira, 16, passaram de perto de 60% para quase 70%, conforme ferramenta do CME Group.
O avanço do petróleo acima de US$ 100 aumentou as preocupações com a inflação e com uma eventual política monetária americana mais restritiva. Chiumento afirmou que o CPI de agosto, a ser divulgado amanhã, será relevante para a decisão do Fed.
O Banco Central realizou pela manhã uma operação com venda de US$ 1 bilhão à vista e de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos, equivalentes a US$ 1 bilhão. Operadores não observaram influência relevante da operação na formação da taxa de câmbio.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, avaliou que a atuação pode ter atendido a uma demanda pontual por divisas, em meio à piora do fluxo cambial e ao aumento da volatilidade no cupom cambial. Para ele, uma eventual redução dos juros no Brasil simultânea à alta nos Estados Unidos diminuiria o diferencial de juros, o que seria desfavorável ao real.
No acumulado, o dólar caiu 0,55% na semana e 1,49% em setembro, depois de subir 2,16% em agosto.








