São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Especialista vê pressão dos EUA sobre Brasil após viagem de Rubio à América do Sul

Jean-Jacques Kourliandsky avalia que a turnê reforça a influência de Washington e a pressão sobre o governo brasileiro.

Especialista vê pressão dos EUA sobre Brasil após viagem de Rubio à América do Sul

A viagem do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, à Colômbia, ao Equador e ao Peru reforça, na avaliação de Jean-Jacques Kourliandsky, a estratégia de Washington para ampliar sua influência na América Latina e pressionar o Brasil. O especialista dirige o Observatório da América Latina e do Caribe da Fundação Jean-Jaurès.

Kourliandsky relaciona a turnê ao fortalecimento da chamada “Doutrina Donroe”, associada ao presidente Donald Trump, e à criação do Escudo das Américas, aliança militar lançada em março. Segundo ele, o acordo reúne países governados por políticos de direita alinhados aos Estados Unidos e tem entre seus objetivos o combate ao narcotráfico e à imigração ilegal.

A viagem começou na Colômbia, na terça-feira (8), em meio a um novo atrito diplomático provocado por Trump após a publicação de um mapa-múndi que incluía o Brasil, a América Latina, o México e Cuba sob a bandeira dos Estados Unidos. Para o especialista, os episódios fazem parte de um mesmo movimento de expansão da influência norte-americana no continente.

Pressão sobre o Brasil

Kourliandsky considera que o Brasil, governado por Luiz Inácio Lula da Silva, é o último país da região a resistir à fórmula de Trump inspirada na Doutrina Monroe, lançada pelo presidente norte-americano James Monroe em 1823. Na avaliação dele, o avanço de governos alinhados a Washington deixa o país cercado por governos potencialmente hostis.

O especialista também associa essa pressão à campanha eleitoral brasileira. Ele afirma que o país é estratégico para os Estados Unidos por ser a maior economia da região, ter recursos energéticos, petróleo, produção agrícola e minerais de terras raras. Para Kourliandsky, o peso econômico e demográfico brasileiro pode tanto favorecer o controle norte-americano sobre a América Latina quanto estimular resistência à estratégia de Trump.

Objetivos em cada país

Na Colômbia, Rubio se encontrou com o presidente Abelardo de la Espriella e anunciou o início de uma nova etapa de cooperação. O líder colombiano defendeu que o país retome a posição de principal parceiro de segurança hemisférica dos Estados Unidos.

Kourliandsky avalia que Washington pretende recompor a relação com Bogotá após o governo de esquerda de Gustavo Petro, entre 2022 a 2026. Para o Equador, o especialista aponta interesses ligados à imigração, ao narcotráfico e à posição estratégica dos portos, especialmente Guayaquil. Ele também considera possível uma tentativa de recuperar a base naval de Manta, fechada pelo ex-presidente Rafael Correa.

No Peru, a preocupação norte-americana estaria relacionada à presença chinesa. O especialista cita o porto de Chancay, na costa do Pacífico, inaugurado pelo presidente chinês Xi Jinping e por autoridades peruanas. A estrutura foi apresentada como parte de uma rede para facilitar o comércio chinês com países ao norte e ao sul do continente, o que, segundo Kourliandsky, contraria os interesses de Washington.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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