Um estudo da Manipal University Jaipur, na Índia, produziu concreto com biocarvão feito de fezes humanas e registrou desempenho superior ao do modelo tradicional. Quando 5% do cimento foi substituído pelo biocarvão fecal, a mistura apresentou aumento médio de 20% na resistência à compressão e de 36% na resistência à flexão após 91 dias.
O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports. Para produzir o material, engenheiros misturaram biocarvão e dejetos fecais obtidos em estações de tratamento locais. A equipe avaliou retração, resistência à compressão, resistência à flexão, absorção de água e porosidade em diferentes formulações.
O biocarvão é produzido pelo aquecimento de matéria orgânica em um ambiente com pouco oxigênio. O processo pode usar materiais como serragem, madeira e casca de arroz. Os pesquisadores consideraram as fezes humanas uma alternativa porque são geradas em abundância: uma pessoa produz até cerca de 400 gramas por dia.
Como o material pode reforçar o concreto
Os pesquisadores atribuem o resultado a uma combinação de fatores. O biocarvão produzido a partir de fezes é poroso e tem cavidades que absorvem água e liberam líquidos gradualmente durante o endurecimento do concreto. Assim, as partículas funcionam como reservatórios internos, mantendo água disponível para as reações químicas que fortalecem o cimento.
A sílica presente no biocarvão também pode reagir com compostos produzidos pelo cimento e formar mais silicatos de cálcio, substâncias associadas à resistência do concreto. Além disso, as partículas finas podem preencher espaços vazios e melhorar a compactação e a união entre os ingredientes.
O concreto é amplamente usado na construção civil e, segundo a Global Cement and Concrete Association, é o segundo material mais consumido no planeta, atrás apenas da água. O cimento, um de seus principais ingredientes, é produzido com o aquecimento de calcário e está entre as fontes de emissões de dióxido de carbono.
Os autores ressaltam que ainda são necessários estudos sobre o desempenho do material em condições reais, incluindo frio extremo, salinidade e altas temperaturas. A pesquisa também não avaliou o impacto do método nas emissões de carbono.







