São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

EUA admitem armas de controle espacial em órbita da Terra

Declaração do secretário da Força Aérea americana provoca alertas de China e Rússia sobre uma possível corrida armamentista no espaço.

EUA admitem armas de controle espacial em órbita da Terra

Os Estados Unidos confirmaram, na segunda-feira (14), que mantêm armas de controle espacial em órbita da Terra. A declaração foi feita por Troy Meink, secretário da Força Aérea americana, durante a Conferência Aérea, Espacial e Cibernética, em Maryland. Depois, a Força Espacial dos EUA confirmou o teor da fala.

Meink não informou quais sistemas foram colocados em órbita, quantos são nem quando foram lançados. Uma autoridade americana afirmou, sob condição de anonimato, que essas armas poderiam permitir a destruição de um satélite inimigo usado para mirar tropas ou equipamentos dos Estados Unidos.

“É por isso que os EUA agora possuem, em órbita, armas de controle espacial capazes de defender a força conjunta contra adversários hostis”, disse Meink no discurso.

O que são essas armas

O controle espacial pode envolver capacidades tecnológicas destinadas a proteger equipamentos em órbita, e não necessariamente armas no sentido convencional. Os sistemas podem ser cinéticos, quando provocam destruição por impacto, ou não cinéticos, quando danificam um alvo por meio de energia, ondas eletromagnéticas ou computadores.

A Rússia e a China são consideradas pela Força Espacial americana potenciais ameaças aos interesses dos Estados Unidos no espaço. A Força Espacial foi criada em 2019, durante o governo de Donald Trump, para proteger ativos americanos, incluindo satélites usados em comunicação e vigilância.

A confirmação provocou manifestações dos dois países. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou, na terça-feira (15), no X, que os Estados Unidos deveriam interromper a acumulação militar no espaço e evitar sua transformação em uma zona de guerra. O governo chinês disse defender o uso pacífico e seguro do espaço exterior.

Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo, afirmou que o espaço deveria permanecer livre de armas. Segundo ele, a Rússia defende uma mobilização internacional pela desmilitarização completa do espaço.

Disputa entre potências

Estados Unidos, China, Rússia e Índia desenvolveram capacidades para realizar operações militares no espaço e atacar satélites de países rivais. Os quatro países também vêm conduzindo missões espaciais.

Os Estados Unidos planejam pousar na Lua até 2028. A China pretende enviar seres humanos ao satélite natural da Terra em 2030. A Índia foi o primeiro país a pousar uma aeronave perto do polo sul lunar em 2023.

China e Rússia também concordaram em construir uma usina nuclear na Lua até 2035. O projeto deverá fornecer energia para a futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar, liderada pelos dois países.

A exploração espacial tem impacto sobre a vida na Terra porque comunicações, navegação e defesa nacional dependem de satélites. Paralelamente, o Departamento de Defesa americano desenvolve o Golden Dome, sistema de defesa antimísseis com camadas de interceptação e recursos espaciais para alerta e rastreamento.

O Escritório de Orçamento do Congresso estima em US$ 1,2 trilhão o custo de desenvolvimento, implantação e operação do Golden Dome ao longo dos próximos 20 anos.

A militarização do espaço começou durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética passaram a explorar maneiras de destruir e armar equipamentos em órbita. O lançamento do Sputnik, em 1957, marcou esse período. Em 1967, cerca de 120 países assinaram o Tratado do Espaço Sideral.

O acordo proíbe armas de destruição em massa em órbita, mas não impede o uso de armas convencionais no espaço nem o emprego de armas terrestres contra alvos espaciais.

Risco de detritos

Daniel Barreiros, professor do Instituto de Economia da UFRJ, afirmou que a instalação de armas em órbita por uma potência pode estimular outros países a fazerem o mesmo. Para ele, porém, o principal risco está na formação de detritos após a destruição de satélites.

Esse processo é conhecido como síndrome de Kessler, conceito desenvolvido pelo consultor da Nasa Donald Kessler nos anos 1970. A destruição de um satélite pode gerar detritos capazes de atingir outros equipamentos, produzindo novos fragmentos e ampliando o lixo espacial em órbita.

Barreiros afirmou que esse efeito poderia inutilizar faixas orbitais por décadas ou até um século. Ele também disse que países como o Brasil seriam particularmente vulneráveis porque seus satélites têm menor mobilidade e dependem dessas estruturas para comunicação, monitoramento meteorológico, agricultura e outras atividades.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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