YUNNAN, CHINA — Sete fósseis encontrados em uma caverna no sudoeste da China indicam que os denisovanos eram caçadores habilidosos, apesar de produzirem ferramentas simples. Os achados incluem o primeiro fragmento conhecido do braço dessa espécie e restos de animais de médio e grande porte, como veados e búfalos-asiáticos.
Os materiais foram localizados em 2019, durante uma restauração ecológica na Caverna Bianfu, instalada em uma pedreira abandonada na província chinesa de Yunnan. Arqueólogos escavaram o local e encontraram ferramentas de pedra e de ossos, além de fragmentos de hominídeos.
Fósseis e ferramentas
A tentativa de identificar DNA nos ossos não apresentou resultado. Como a molécula se degrada com o tempo, os pesquisadores analisaram as proteínas dos fósseis. O exame indicou que os sete restos pertenciam a denisovanos: quatro dentes, dois fragmentos de crânios e um pedaço de rádio, osso do antebraço.
Os denisovanos foram identificados como espécie em 2010, a partir de DNA encontrado em fragmentos de ossos na caverna da Denisova, na Sibéria, Rússia. Desde 2019, outros vestígios foram reconhecidos na Ásia por meio da análise de proteínas, incluindo fragmentos de mandíbulas encontrados no Tibete e no Estreito de Taiwan. Em 2025, o primeiro crânio da espécie foi identificado na China.
As ferramentas de Bianfu eram feitas de ossos ou de pedras lascadas. Segundo a descrição dos pesquisadores, muitas tinham sido produzidas com poucos golpes e provavelmente eram destinadas ao uso imediato, em vez de resultarem de um processo prolongado de aperfeiçoamento.
A presença de ossos de veados e búfalos-asiáticos sugere que esses hominídeos capturavam animais difíceis de caçar. Os restos também mostram que eles retiravam a medula óssea, rica em calorias e gorduras, das presas.
Ocupação da caverna
Os fósseis apareceram em camadas arqueológicas diferentes. Os cientistas estimam que os indivíduos denisovanos identificados tenham vivido na caverna entre 167 mil anos atrás e 134 mil anos atrás. As ferramentas foram encontradas em camadas datadas de 190 mil anos atrás a 70 mil anos atrás, indicando uma possível ocupação de até 120 mil anos. Não é possível determinar se todos os instrumentos foram produzidos por denisovanos.
Bo Li, professor da Universidade de Wollongong, na Austrália, e autor do estudo, afirmou que o sítio reúne fósseis, tecnologias e estratégias de subsistência em um único registro estratificado. Para ele, os achados mostram como os denisovanos se adaptaram ao ambiente e a diversidade tecnológica das antigas populações humanas no Leste Asiático.
Os resultados foram publicados em dois artigos da revista Nature. Os denisovanos conviveram e se reproduziram com humanos, que ainda carregam DNA de origem denisovana. Essa herança é maior entre populações do Leste e do Sudeste Asiático, especialmente entre aborígenes australianos e nativos da Papua-Nova Guiné.







