São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Ciência

Mercúrio pode ter encolhido até 30% mais do que se estimava

Análise de dados da sonda Messenger encontrou estruturas de contração escondidas sob crateras e detritos na superfície do planeta.

Mercúrio pode ter encolhido até 30% mais do que se estimava

Mercúrio pode ter encolhido entre 10% e 30% a mais do que indicavam estimativas anteriores, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (10) na Geophysical Research Letters. A contração ocorre desde a formação do planeta, há 4,5 bilhões de anos, enquanto seu interior perde calor.

Estruturas escondidas na superfície

Os sinais desse processo aparecem como colinas, cristas e escarpas, chamadas de estruturas de encurtamento. Elas se formam à medida que o planeta diminui de tamanho. O estudo indica, porém, que parte dessas formações estava escondida sob crateras de impacto e os detritos espalhados por elas.

Para chegar à nova estimativa, a equipe liderada por Gaku Nishiyama, do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), cruzou dois mapas de Mercúrio. Um deles mostrava a distribuição das cristas e escarpas formadas pela contração. O outro registrava a rugosidade da superfície, reconstruída em três dimensões a partir de medições a laser e imagens obtidas em ângulos diferentes.

A comparação revelou estruturas que não haviam sido identificadas anteriormente. Como a rugosidade dificulta a localização das marcas de contração, os pesquisadores consideram que até mesmo o novo cálculo pode estar abaixo do valor real. Os dados disponíveis sobre a superfície do planeta podem estar incompletos.

Dados da sonda Messenger

A investigação de Mercúrio é dificultada por sua proximidade com o Sol. O envio de espaçonaves até o planeta é complexo, e nenhuma sonda conseguiu examinar o que existe sob sua superfície. A observação direta a partir da Terra também é praticamente impossível por causa da intensidade da luz solar.

Por isso, os cientistas dependem de dados obtidos por satélites remotos. A nova análise usou informações coletadas pela sonda espacial Messenger. Lançada em agosto de 2004, a nave chegou a Mercúrio em março de 2011 e completou 4.105 órbitas antes de ficar sem combustível e colidir com a superfície em 2015.

Durante mais de quatro anos de operação, a Messenger reuniu dados usados na elaboração dos mapas analisados pela equipe. Essas informações permitiram relacionar a rugosidade do terreno à presença de escarpas e cristas associadas ao encolhimento.

Resfriamento do planeta

Mercúrio se formou há 4,5 bilhões de anos, quando rochas e asteroides colidiram e depois se uniram. Esse processo produziu calor, que o planeta vem perdendo desde então. Com o resfriamento do interior, sua superfície desenvolve as rugas geológicas que servem como indícios da contração.

As temperaturas na superfície de Mercúrio variam de -184º C a 427º C. O planeta não tem atmosfera para regular essa variação. Com cerca de 4.879 quilômetros de diâmetro, ele é o menor planeta do Sistema Solar, tem um terço do tamanho da Terra e é menor que algumas luas, como Ganimedes, de Júpiter, e Titã, de Saturno.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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