Um grupo de 11 astrônomos confirmou a existência do Elias 2-24 b, considerado o planeta mais jovem já identificado. O exoplaneta tem menos de 1 milhão de anos, massa semelhante à de Júpiter e está a 450 anos-luz da Terra, fora do Sistema Solar.
O estudo foi publicado na quarta-feira (16) no periódico científico The Astrophysical Journal Letters. A massa aproximada de Júpiter é de 1.898×10²⁴ kg, de acordo com a Nasa.
Como planetas se formam
Planetas-bebês são corpos encontrados ainda durante a formação, com poucos milhões de anos. Antes do Elias 2-24 b, os mais jovens conhecidos tinham mais de 5 milhões de anos.
A teoria mais aceita descreve a formação a partir da acreção do núcleo. Quando uma estrela nasce, fica cercada por um disco protoplanetário, formado por gases e poeira. Ventos quentes da estrela fazem as partículas colidirem e se agruparem.
Com o tempo, a poeira forma aglomerados, pedregulhos, rochas e, depois, planetesimais — estruturas que funcionam como blocos de construção dos planetas. Um planetesimal pode ter até 100 km de diâmetro.
Em regiões frias do disco, a água se transforma em gelo e se junta aos gases, favorecendo a formação de planetas gasosos. Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são considerados exemplos desse processo no Sistema Solar. Nas áreas quentes, onde há menos gases disponíveis, formam-se planetas rochosos, como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Gabriel Hickel, astrofísico e professor da Unifei, afirmou que as simulações e observações indicam um período de cerca de 10 milhões de anos para a formação de planetas gasosos e de até 50 milhões de anos para planetas rochosos.
A identificação do exoplaneta
O nome Elias 2-24 b homenageia o astrônomo J.H. Elias, que catalogou, em 1978, a formação estelar associada ao planeta. O trecho 2-24 corresponde à listagem daquela região espacial, enquanto a letra b segue a convenção usada para o primeiro exoplaneta identificado ao redor de uma estrela.
A Elias 2-24 está entre as estrelas jovens conhecidas em regiões de formação estelar próximas do Sistema Solar. A luz leva 164,3 dias para viajar da Terra até ela.
A busca pelo planeta levou uma década. Desde 2017, astrônomos analisaram lacunas e pontos de luz no disco de poeira por meio do observatório Alma e do Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, ambos no Chile. A equipe encontrou o mesmo ponto de luz em registros da Nasa de 2018 e 2020. Em 2021, identificou uma emissão compatível com um jovem planeta gasoso.
O Elias 2-24 b orbita sua estrela a uma distância cinco vezes maior que a existente entre o Sol e Júpiter. A observação foi possível porque corpos em formação atingem temperaturas entre 1.000 e 2.000 ºC e emitem luz própria, de acordo com o professor da Unifei.
José Dias do Nascimento Júnior, professor do Departamento de Física da UFRN, afirmou que o planeta foi encontrado em uma lacuna estreita do disco protoplanetário. “É como se estivéssemos observando simultaneamente o bebê e as marcas que ele deixa no próprio berçário onde está nascendo”.
Com cerca de 1 milhão de anos, o planeta não deveria estar tão avançado, segundo o professor da Unifei. Os modelos mais aceitos apontam que um planeta gasoso praticamente formado teria, no mínimo, entre 5 e 8 milhões de anos.
O que a descoberta indica
Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile e coautor do estudo, disse que a confirmação mostra limites nos modelos atuais de formação planetária.
A pesquisa sobre esse processo ganhou força em 1995, após a descoberta do primeiro exoplaneta, o 51 Pegasi b. Os responsáveis pelo estudo, Michel Mayor e Didier Queloz, receberam o Prêmio Nobel de Física em 2019.
Para Júnior, observar o Elias 2-24 b permite acompanhar a formação planetária enquanto ela ocorre, em vez de tentar reconstruí-la a partir de sistemas já adultos. Hickel afirmou que o estágio do exoplaneta pode indicar que esse processo é mais rápido do que o previsto e exigir revisão na física da coagulação de materiais em discos protoplanetários.








