A produção industrial recuou em agosto e levou o índice de evolução do setor a 46,3 pontos, após uma queda de 4,7 pontos. O resultado foi o pior para o mês desde 2015 e tirou o indicador da faixa considerada positiva, acima de 50 pontos. Os dados são da Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta segunda-feira, 21.
O desempenho também ficou fora do padrão observado no período. Nos últimos 11 anos, o índice havia ficado abaixo de 50 pontos em agosto somente em 2025 e agora, em 2026. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, atribuiu o resultado à queda contínua da demanda por bens industriais e às incertezas externas e internas. Para ele, a proximidade das eleições aumenta a cautela das empresas ao decidir sobre investimentos, produção e contratações.
Investimentos e expectativas
A intenção de investimento da indústria caiu 1,3 ponto em setembro, de 52,6 pontos para 51,3 pontos. Foi a quarta redução seguida, em uma sequência iniciada em maio, e o menor nível do indicador desde agosto de 2020. Desde maio, o recuo acumulado é de 3,5 pontos.
Azevedo avaliou que a desaceleração da atividade e o aumento das incertezas contribuíram para a queda da intenção de investir. No mesmo mês, os quatro indicadores de expectativa da indústria diminuíram: a demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2 pontos; a compra de insumos e matérias-primas recuou 0,8 ponto, para 50,4 pontos; a quantidade exportada baixou 0,6 ponto, para 48,9 pontos; e o número de empregados diminuiu 0,2 ponto, para 49,2 pontos.
As expectativas para a demanda e a compra de insumos permaneceram acima de 50 pontos, indicando previsão de aumento nos próximos seis meses, embora em ritmo menor que em agosto. Já as projeções para exportações e emprego apontaram recuos mais intensos.
A Utilização da Capacidade Instalada caiu 1 ponto porcentual, para 69%, ficando 2 pontos porcentuais abaixo da média de agosto. O índice de evolução do emprego recuou 0,4 ponto, para 48,2 pontos. O nível de estoques diminuiu 1,5 ponto, de 51 para 49,5 pontos, enquanto o índice de estoque efetivo-planejado avançou 0,2 ponto, para 50,4 pontos.
A pesquisa ouviu 1.403 empresas, entre 1º e 11 de setembro: 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes.








