A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) avaliou como positiva a negociação para que o Brasil use parte do excedente da cota uruguaia de carne bovina destinada à China. A entidade, porém, afirmou que a medida deve ter efeito limitado sobre as exportações em 2026.
Em nota, a Abiec explicou que o prazo para negociar, embarcar e transportar a mercadoria reduz o impacto neste ano. A partir de novembro, os embarques enviados à China já deverão considerar as cotas de 2027, porque o transporte até o destino leva de dois a três meses.
"Neste momento, porém, um eventual aproveitamento do excedente da cota uruguaia teria efeito limitado em 2026", afirmou a entidade.
Cota brasileira
A China impôs cotas de importação de carne bovina no início de 2026, como medida de proteção a agricultores e produtores domésticos. O Brasil, maior exportador mundial do produto, esgotou o limite de 1,1 milhão de toneladas destinado aos frigoríficos brasileiros. Acima desse volume, incide uma tarifa de 55%.
Para 2027, a associação considera que a autorização uruguaia pode ser uma alternativa diante da cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas. Segundo a Abiec, esse limite corre risco de acabar já nos primeiros meses do ano se o ritmo atual de vendas continuar.
Reunião entre os presidentes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai autorizou o uso de parte de sua cota de exportação para a China. Lula encontrou-se com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York, durante compromissos relacionados à Assembleia Geral da ONU, prevista para esta terça-feira.
Em publicação no X, Lula disse ter agradecido pela autorização. Também afirmou que os dois governos trataram de infraestrutura e comércio agrícola. "Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China", escreveu.








