FUZHOU — Pernambuco produz 39,7% da carne bovina consumida no estado e precisa trazer de fora 60,3% da demanda, o equivalente a cerca de 194.204 toneladas ou 1,30 milhão de bois de 20 arrobas. Os dados foram apresentados pelo empresário Renato Buarque de Gusmão, da Agropecuária Dois Irmãos, durante um seminário realizado na China.
Convidado pelo Consulado da China em São Paulo, Gusmão participou do Seminário sobre Construção das Infraestruturas nos Países de Língua Portuguesa, na província de Fujian, na cidade de Fuzhou. O encontro ocorreu entre os dias 7 a 26 de setembro e reuniu especialistas e empresários do Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal, Guiné-Bissau e Cabo Verde.
Produção e abastecimento
Na apresentação, realizada no penúltimo dia de atividades, o empresário informou que Pernambuco tinha população estimada em 9,58 milhões de habitantes para 2026. Com consumo anual de 33,6 kg de carne por habitante, a demanda estadual chega a cerca de 322 mil toneladas por ano. A produção local, segundo os dados apresentados, não é suficiente para atender esse volume.
Gusmão também detalhou a distribuição regional das atividades. A Zona da Mata concentra a produção histórica de cana-de-açúcar; o Agreste reúne a pecuária leiteira e de corte e a agricultura familiar; e o Sertão tem pecuária extensiva e fruticultura irrigada. Entre as tecnologias usadas no setor estão mecanização, irrigação tecnificada, softwares de gestão e rastreamento animal.
A cana-de-açúcar representa 34,5% da produção agrícola de Pernambuco em 2024, com valor de R$ 2,75 bilhões. Para a safra 2026/27, a Conab projeta 13,6 milhões de toneladas da cultura, 910 mil toneladas de açúcar e 390 milhões de litros de etanol. A estimativa de geração anual varia de R$ 4,0 a R$ 4,4 bilhões.
O empresário também apresentou os valores associados ao bagaço, entre R$ 150 milhões e 250 milhões, e ao melaço, entre R$ 100 milhões e 200 milhões. Milho, feijão, mandioca, frutas e hortaliças foram citados como outras atividades produtivas do estado.
Cooperação econômica
De acordo com Gusmão, as atividades agropecuárias produziram impacto de R$ 288,67 bilhões (+4,9%) no PIB de Pernambuco em 2024. O setor corresponde a 5% do PIB estadual, enquanto serviços representam 75% e indústria, 20%. Ainda segundo os dados apresentados, a agropecuária cresceu 11,5% em 2024, impulsionada pela pecuária.
O seminário foi organizado como iniciativa de intercâmbio e cooperação econômica entre a China e países de língua portuguesa, em articulação com plataformas como o Fórum de Macau. O foco incluía financiamento e desenvolvimento de projetos de infraestrutura.
“A China hoje vem fazendo parcerias em diversas áreas com países que foram colônias de Portugal, assim como também com Portugal”, relatou Gusmão. Ele afirmou ainda ter apresentado a evolução da comercialização de carne bovina com a China e recebido retorno positivo sobre os números e as perspectivas do setor.








