Um estudo liderado pelo pesquisador Valerio Carruba, da Faculdade de Engenharia e Ciências (FEG) da Unesp, câmpus de Guaratinguetá, recebeu o prêmio CELMEC IX Prize. A pesquisa analisou como a interação entre a ressonância orbital 1:1 e o mecanismo von Zeipel–Lidov–Kozai (ZLK) pode contribuir para a estabilidade de asteroides co-orbitais de Vênus, da Terra e de Marte.
Asteroides co-orbitais compartilham aproximadamente o mesmo período de translação de um planeta ao redor do Sol, embora suas trajetórias não sejam idênticas. A ressonância 1:1 sincroniza o movimento médio desses corpos. Já o mecanismo ZLK provoca oscilações relacionadas à excentricidade e à inclinação das órbitas, o que pode restringir a geometria da trajetória e evitar aproximações excessivas com planetas.
O artigo, intitulado “Co-orbital asteroids of terrestrial planets affected by the von Zeipel–Lidov–Kozai mechanism”, foi publicado na revista Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy. A premiação reconhece artigos originais publicados em coleções especiais da revista. Carruba afirmou que o reconhecimento representa o trabalho coletivo do grupo MASB (Machine Learning Applied to Small Bodies).
Resultados das simulações
As simulações consideraram as perturbações de todos os planetas do Sistema Solar e da Lua. Entre os asteroides co-orbitais da Terra em estados ZLK robustos, com libração em torno de 0° e 180°, não foram registrados encontros próximos com o planeta durante a análise. Em uma amostra de co-orbitais não ressonantes, esses encontros foram observados.
Os pesquisadores também estenderam as simulações para escalas da ordem de 100 mil anos. Os resultados indicaram que, em determinadas configurações, o mecanismo ZLK pode diminuir a probabilidade de encontros próximos e prolongar a permanência dos asteroides em uma configuração orbital.
O grupo identificou ainda o asteroide 2025 TV10 como um novo co-orbital de Vênus. Segundo Carruba, o objeto não está em um estado ZLK robusto e merece acompanhamento por poder ter encontros próximos com a Terra. O pesquisador afirmou, porém, que o asteroide é muito pequeno e provavelmente seria destruído ao entrar na atmosfera em caso de colisão.
Atualmente, Vênus tem 21 co-orbitais conhecidos, a Terra tem 54, além de outros 15 temporários, e Marte tem 48 confirmados. Nenhum co-orbital de Mercúrio é conhecido. No caso de Marte, a pesquisa identificou apenas um objeto em estado ZLK robusto: o 2017 XG62.
Os três trabalhos selecionados pelo comitê científico do prêmio serão apresentados no nono Encontro Internacional de Mecânica Celeste (CELMEC IX), programado para ocorrer entre 14 e 18 de setembro, em San Martino al Cimino, na Itália. A organização ficará a cargo da Sociedade Italiana de Mecânica Celeste e Astrodinâmica.
Além de pesquisadores da Unesp, o artigo reúne integrantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade de Atacama. O grupo MASB já havia recebido um prêmio CELMEC em 2023.







