VARANASI — O trecho do Rio Ganges que passa por Varanasi tem concentração de bactérias 150 vezes maior do que a considerada segura para banho. A cidade, na Índia, é um dos principais centros religiosos do hinduísmo e recebe milhões de visitantes anualmente.
A pressão sobre o rio aumentou com o crescimento da população e das práticas realizadas em suas margens. Varanasi tem mais de um milhão de habitantes e recebeu mais de 72 milhões de turistas em 2025. Cerca de 32 mil corpos são depositados no Ganges todos os anos, na forma de cinzas ou embrulhados.
Um rio usado em rituais e no cotidiano
O Ganges passa pela Índia e por Bangladesh. Aproximadamente cinco bilhões de litros de esgoto, em sua maioria sem tratamento, são despejados diariamente no rio. Também chegam às águas efluentes industriais e resíduos da cremação de corpos.
Para os hindus, porém, o Ganges é a divindade Ma Ganga, ou Mãe Ganges. A tradição afirma que ela veio à Terra para purificar as almas ancestrais de Bhagiratha, rei e sábio hindu. Com a ajuda dos cabelos do deus Shiva, teria descido de maneira tranquila e formado o rio, ao qual são atribuídas propriedades de cura e purificação.
Banhar-se no Ganges representa abandonar impurezas e más energias. Algumas pessoas também ingerem a água. Morrer no rio é associado à moksha, a libertação. Por isso, fiéis viajam de diferentes partes do mundo para participar dos rituais.
Em Varanasi, moradores e peregrinos usam o rio para escovar os dentes, tomar banho, lavar roupas, realizar práticas religiosas e fazer passeios de barco. Essas atividades são distribuídas entre dezenas de ghats, escadarias que dão acesso à água, cada uma com uma função específica.
Cremações e disputa sobre a limpeza
O ghat de Manikarnika é o mais conhecido e reservado para cremações. O local funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, há décadas, e mais de 100 corpos são cremados diariamente ali.
Varanasi, também chamada de Benares ou Kashi, é considerada a cidade mais sagrada do hinduísmo. A crença hinduísta diz que ela foi criada por Shiva. A cidade já foi capital e centro comercial e está entre as mais antigas do mundo ainda habitadas.
A poluição provoca debate entre fiéis e parte da população indiana. Algumas pessoas defendem projetos de limpeza, enquanto outras deixaram de praticar sua religiosidade no rio por causa da segurança da água. Há também hindus que rejeitam a limpeza por acreditarem no poder de cura do Ganges.







