Roma não era o principal ponto de passagem das estradas do Império Romano. A cidade ficava às margens das rotas terrestres mais centrais, enquanto Antioquia, Ancora, Bizâncio e Corinto tinham localização mais favorável para quem viajava por terra, indica um estudo publicado na revista Nature nesta terça-feira (15).
Os pesquisadores reconstruíram a rede viária romana e calcularam o grau de conectividade das cidades. O trabalho usou o atlas digital Itiner-e para mapear cerca de 300.000 quilômetros de estradas. A análise mostra que os caminhos terrestres mais importantes do império não passavam necessariamente pela capital.
Cidades mais integradas
Corinto, na Grécia, tinha estradas que conectavam a Península do Peloponeso ao restante do território grego. Ancora, na região da atual Turquia, era um polo de transporte na Anatólia, área que liga a Ásia à Europa. Antioquia e Bizâncio também estavam mais bem posicionadas na rede viária do que Roma.
A situação da capital é descrita pelos autores por meio de uma analogia anatômica: a Península Itálica funcionaria como um “apêndice” da malha de estradas, com Roma situada no meio dessa extensão e distante do fluxo principal.
Isso não reduziu a importância histórica da cidade. Roma permaneceu, durante grande parte da Antiguidade, como centro político, econômico e cultural da civilização ocidental. No auge, no ano 117 d.C., o Império Romano abrangia quase 5,5 milhões de quilômetros quadrados ao redor do mar Mediterrâneo, incluindo grande parte da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África.
O ditado sobre os caminhos que levam a Roma surgiu posteriormente. Na Idade Média, o poeta francês Alain de Lille teria escrito “mille viae ducunt hominem per saecula Romam”, expressão traduzida como “mil caminhos conduzem o homem para sempre a Roma”.
Além das estradas
O estudo tratou das vias terrestres, mas o transporte no Império Romano também ocorria por rotas marítimas e fluviais. Segundo o artigo, Roma pode ter exercido papel mais relevante nesses deslocamentos do que no transporte rodoviário. A investigação dessas conexões antigas ficou indicada como próximo passo da pesquisa.
As estradas romanas foram construídas para ligar as províncias à capital e chegaram a mais de 80 mil quilômetros de extensão. O Império Romano existiu entre 27 a.C. e 476 d.C.







