YUNGAS, BOLÍVIA — Um filhote macho encontrado em 2016 levou pesquisadores a identificar o Leopardus tilcayo, uma espécie de felino selvagem até então confundida com o Leopardus tigrinus. O animal foi levado ao refúgio La Senda Verde, onde especialistas inicialmente acreditaram que se tratava de um gato-tigre.
A confirmação veio depois da análise do genoma de 38 indivíduos do gênero Leopardus na América do Sul. Entre eles, 26 eram gatos-tigres. A comparação revelou diferenças genéticas que indicavam a existência de mais de uma espécie dentro do grupo. Os resultados mostraram que os gatos-tigres correspondem a cinco espécies distintas, sendo que uma delas é dividida em duas subespécies.
Uma linhagem separada há milhões de anos
O Tilcayo se diferencia por pertencer a uma linhagem evolutiva própria, separada das demais linhagens de gatos-tigres há cerca de 1,4 milhão de anos. A espécie vive nos Yungas, área boliviana de florestas montanhosas e alta umidade.
Com cerca de 46 centímetros de comprimento e menos de dois quilos, o animal é menor que um gato doméstico médio. Tem pelagem marrom-clara, com rosetas escuras distribuídas irregularmente pelo corpo. Os indícios disponíveis apontam que ele provavelmente é mais ativo à noite e se alimenta de pequenos roedores.
A pesquisa também descreveu o Leopardus tigrinus antisuyo, uma nova subespécie que vive nos Yungas, na porção peruana do território. Embora o Tilcayo e essa subespécie pertençam ao mesmo grupo e ocupem áreas próximas, eles não são parentes evolutivos próximos.
Conservação e novas investigações
O estudo foi publicado em 17 de setembro no periódico científico Current Biology. A equipe reuniu pesquisadores bolivianos, brasileiros e de outras nacionalidades sob liderança de Eduardo Eizirik, professor da PUC-RS.
O trabalho também reconstruiu a história, a diversidade e a evolução dos felinos analisados, incluindo populações atualmente pouco encontradas na natureza. A identificação das cinco linhagens deve levar a novas avaliações de conservação. Os gatos-tigres já são classificados como espécies vulneráveis, e cada linhagem pode apresentar um grau de ameaça ainda maior diante de desmatamento, incêndios, mineração e outros problemas ambientais nos Yungas.







