São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Vitreorana micaelae é reconhecida como nova espécie do Cerrado em Goiás

Rã quase transparente foi identificada em Luziânia após análises de morfologia, canto, genética e observações em campo.

Vitreorana micaelae é reconhecida como nova espécie do Cerrado em Goiás
Foto: Afonso Meneses/Agência Brasil

Uma rã-de-vidro encontrada em matas de galeria de Luziânia, em Goiás, foi reconhecida como uma nova espécie e recebeu o nome científico Vitreorana micaelae. A descrição foi feita por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB).

A identificação ocorreu depois de uma investigação que combinou análises de morfologia, bioacústica, genética molecular e observações de campo. Embora o animal se parecesse com outras rãs conhecidas, o grupo liderado pelo biólogo Wilian Vaz-Silva encontrou diferenças consistentes entre os indivíduos estudados e as espécies já descritas.

Entre as características observadas estão particularidades na quantidade de notas do canto, na forma da íris, na pigmentação dorsal e na região próxima à cloaca. O material molecular também apresentou diferenças em relação às espécies conhecidas pela ciência, conforme explicou o biólogo Reuber Brandão, um dos autores do estudo.

A Vitreorana micaelae é a 11ª espécie do gênero rã-de-vidro. Quatro espécies desse grupo são encontradas no território brasileiro, e a recém-descrita é a segunda conhecida por ocorrer exclusivamente no Cerrado.

Reprodução e dificuldade de observação

Os pesquisadores encontraram os animais no alto de árvores, em barrancos inclinados próximos a riachos que são afluentes do Rio Corumbá. A espécie mede pouco mais de 2 centímetros, tem coloração esverdeada e aparência quase transparente.

O canto é emitido principalmente durante chuvas intensas, o que dificulta a localização dos indivíduos. A distribuição espalhada e o acesso aos locais onde vivem também contribuíram para que a espécie permanecesse pouco conhecida, inclusive entre moradores da região. Por essas características, não foi associado à rã um nome popular já usado pelas comunidades locais.

Na reprodução, o casal deposita os ovos sobre folhas de árvores altas. O macho permanece no local, e, depois da eclosão, os girinos caem no riacho e se enterram no sedimento.

Indivíduos observados nessa área do Cerrado em 2013 haviam sido identificados como Vitreorana eurygnatha. Segundo Brandão, a semelhança entre as espécies fez com que a diferença não fosse percebida naquele momento.

Classificação recomendada

O estudo foi publicado na edição de setembro da revista científica ZooKeys. Os autores recomendam que a espécie seja classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como Dados Insuficientes (DD), porque ainda é necessário conhecer o tamanho de sua população e as ameaças que enfrenta.

Brandão afirmou que os pesquisadores identificaram outra localidade do Cerrado com presença da rã. Com isso, há três localidades conhecidas, mas essa informação ainda está em estudo e não foi publicada.

O nome Vitreorana micaelae homenageia a bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, esposa de Wilian Vaz-Silva. O trabalho também aponta impactos potenciais sobre o habitat da espécie, como alterações no regime de chuvas, desmatamento e represamento de rios para pequenas hidrelétricas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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