São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Ajuste fiscal de 2027 pode afetar inflação e juros, diz ex-diretor do BC

Rodrigo Azevedo afirma que a condução do ajuste definirá se a desaceleração da economia será ordenada ou desorganizada.

Ajuste fiscal de 2027 pode afetar inflação e juros, diz ex-diretor do BC

O Brasil deverá passar por um ajuste fiscal em 2027, mas seus efeitos sobre a economia, a inflação e os juros dependerão da forma como o processo será conduzido, afirmou Rodrigo Azevedo, diretor de investimentos da Ibiuna Investimentos e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central.

Azevedo disse que um ajuste proativo poderia levar a uma desaceleração mais ordenada da economia. Já uma reação tardia, motivada por uma eventual piora das condições de mercado, poderia apertar as condições financeiras e aumentar a pressão inflacionária.

“Um ajuste reativo” poderia tornar mais difícil administrar a desaceleração, segundo o gestor. Ele falou durante um painel no J.Safra Investment Conference, realizado na quarta-feira, 23, em São Paulo.

A economia brasileira, de acordo com Azevedo, atravessa um período prolongado de juros elevados e restritivos. A atividade vem desacelerando, mas em ritmo menor do que seria esperado diante do aperto monetário. As famílias continuam muito endividadas, enquanto as expectativas de inflação estão bastante desaceleradas.

Juros e condições financeiras

O ex-diretor do BC citou 2015 como exemplo de um ajuste que pode ocorrer de forma desordenada. Naquele período, afirmou, a economia contraiu 3,5%, a inflação chegou a 11% e o juro subiu. Para ele, o episódio mostra que uma desaceleração da atividade e uma queda da inflação não levam necessariamente à redução dos juros quando as condições financeiras se deterioram.

Por isso, Azevedo afirmou que a trajetória da curva de juros pode ser mais importante do que o nível da Selic no fim de 2027. Uma queda mais significativa dos juros reais poderia tornar mais controlado o processo de desaceleração e desalavancagem, com uma retração mais rasa da atividade e possibilidade de retomada posterior.

O cenário seria diferente se as taxas reais voltassem a níveis próximos de 8,5% ou acima disso. Nesse caso, o aperto financeiro poderia aprofundar uma desaceleração já em curso. Se ocorresse ao mesmo tempo que uma depreciação do câmbio e expectativas de inflação desancoradas, a pressão sobre os preços poderia aumentar.

A incerteza eleitoral também dificulta projetar a trajetória da Selic para 2027. Para Azevedo, a questão central, independentemente do cenário político, será a forma como o ajuste fiscal será realizado.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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