Uma empresa alemã pretende ampliar a reciclagem de baterias para reduzir a dependência europeia do lítio produzido na China. A Accurec Recycling GmbH vai investir 5,5 milhões de euros na expansão de sua unidade em Krefeld, com a meta de elevar o processamento anual de baterias usadas de 5.000 para 20.000 toneladas.
A companhia desenvolveu um método que recupera o lítio sem o uso de químicos agressivos. A instalação, inaugurada em dezembro de 2025, recupera inicialmente 50% do lítio contido nas baterias. A empresa trabalha para alcançar 80% ou mais no primeiro trimestre de 2027, percentual compatível com a exigência da legislação da União Europeia a partir de 2027.
A Accurec foi fundada em 1995 e começou reciclando baterias de níquel-cádmio e níquel-hidreto metálico. Há cerca de 15 anos, passou a se concentrar nas baterias de íons de lítio, usadas em smartphones, carros elétricos e ferramentas. A empresa emprega cerca de 85 pessoas e também opera uma unidade em Mülheim no Rur.
Como funciona a tecnologia
O processo, chamado internamente de CLIMA, começa com a triagem das baterias. As unidades maiores, como as de veículos, são desmontadas antes de passar por pirólise, etapa em que o material é aquecido para remover componentes orgânicos.
“Transformamos o lítio numa forma solúvel em água. Ou seja, toda a restante parte da bateria é insolúvel em água, exceto o lítio”, explica Simon Bremer, diretor de desenvolvimento da Accurec. Com essa diferença de solubilidade, o lítio pode ser separado posteriormente.
O calor produzido na pirólise é reaproveitado para recristalizar o sal de lítio. Segundo a empresa, o método economiza quase 50% de energia e reduz em mais de 59% as emissões de CO₂ por tonelada de carbonato de lítio.
Dependência da China
De acordo com Bremer, cerca de 65 a 70% dos produtos químicos de lítio próprios para baterias têm origem na produção chinesa. O diretor afirma que a dependência deixa a indústria europeia sob pressão quando o governo chinês usa seu poder de mercado.
A Accurec considera a nova instalação uma alternativa parcial à concentração do fornecimento, além de uma forma de manter na Europa matérias-primas que poderiam ser exportadas. O objetivo é que o material reciclado volte a ser usado na fabricação de novas baterias no continente.
Hoje, a maior parte das unidades europeias de reciclagem produz apenas a chamada massa negra, um pré-produto que ainda reúne lítio, níquel e cobalto. Como há poucas instalações europeias capazes de separar esses materiais, grande parte dessa massa é exportada para a Ásia.
A Accurec assinou um memorando de entendimento com a AMG Lithium, em Bitterfeld, descrita como praticamente a única compradora relevante na Europa. As empresas ainda definem os detalhes para iniciar o fornecimento à refinaria. Até a cooperação operar integralmente, parte do lítio reciclado segue para outras aplicações ou é comercializada por parceiros na Ásia.
Regras europeias
Desde dezembro de 2025, a União Europeia classifica oficialmente a massa negra como resíduo perigoso, o que dificulta sua exportação. Bremer considera a mudança um passo para manter o material na Europa, mas afirma que sua efetividade dependerá dos recursos disponíveis para fiscalização aduaneira e supervisão.
A União Europeia também prevê cotas obrigatórias de material reciclado em novas células de bateria a partir de 2031. As regras, porém, não determinam a origem desse material. “Além da percentagem de material reciclado, podemos também falar de uma percentagem europeia”, defende Bremer.
O diretor também critica a falta de uma estratégia europeia para toda a cadeia de valor das baterias. Na avaliação dele, projetos apoiados com recursos públicos só funcionam se fornecedores e clientes se desenvolverem ao mesmo tempo, em vez de alguns empreendimentos serem apoiados de forma isolada.







