PORTUGAL — O preço do gasóleo atingiu um recorde em Portugal nesta segunda-feira, enquanto a gasolina chegou ao maior valor desde a crise energética provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. A alta desencadeou protestos em estradas do país, com buzinaço na ponte 25 de Abril e uma marcha lenta em direção à refinaria da Galp em Sines, no distrito de Setúbal.
Organizada por WhatsApp e redes sociais, a marcha reunia veículos que seguiam para a refinaria. A Guarda Nacional Republicana (GNR) informou que participaram entre 60 a 100 veículos. Na ponte que liga Lisboa a Almada, motoristas também usaram buzinas para protestar. Havia carros com bandeiras portuguesas e cartazes com frases como “Basta ao aumento dos combustíveis”.
Preços e comparação na Europa
Segundo as previsões do Automóvel Club de Portugal (ACP), o gasóleo subiu 15 cêntimos, para 2,169 euros por litro, e a gasolina aumentou 12 cêntimos, para 2,142 euros por litro. Os valores consideram a redução extraordinária do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), que limitou os aumentos a 12 cêntimos no gasóleo e 9 cêntimos na gasolina.
Portugal aparece entre os países europeus com combustíveis mais caros. Em uma comparação de 21 países, ficou em 19.º lugar no preço da gasolina e em 17.º no do gasóleo. Em um relatório da União Europeia sobre os 27 países do bloco, ocupou o 20.º lugar na gasolina com imposto e o 19.º no gasóleo com imposto.
Na Alemanha, a gasolina também superou um recorde anterior, chegando a 2,203 euros por litro, acima do valor registrado em março de 2022.
Investigação sobre os preços
A ministra portuguesa do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, solicitou um estudo à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Divulgado em meados de agosto, o documento não encontrou evidências de aproveitamento por parte dos operadores nem confirmou o fenômeno conhecido como “rockets and feathers”, em que os preços sobem rapidamente e caem mais devagar.
A ERSE atribuiu parte da diferença de preços em relação à Espanha aos impostos e afirmou que a carga fiscal portuguesa permaneceu constante, em linha com a generalidade dos países da União Europeia e da Zona Euro.
O aumento dos combustíveis na Europa também foi associado ao conflito no Médio Oriente e ao bloqueio no estreito de Ormuz, que afetou as rotas comerciais. Especialistas apontaram ainda limitações na capacidade de refinação, especialmente para o gasóleo.
Outra discussão envolve a criação de um imposto extraordinário sobre os lucros das petrolíferas. Ministros de Portugal, Alemanha, Itália, Áustria, Polónia e Espanha enviaram uma carta ao ministro das Finanças da Irlanda para tratar do tema na reunião de ministros das Finanças marcada para 18 e 19 de setembro, na Irlanda, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia.







