O mercado regulado de apostas no Brasil reunia 84 empresas licenciadas e 193 marcas ativas até o primeiro semestre deste ano. No mesmo período, os depósitos feitos pelos usuários caíram para R$ 88,48 bilhões, ante R$ 100,99 bilhões nos primeiros seis meses de 2025, uma redução de 12,4%.
Os dados constam do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), plataforma desenvolvida pelo Ministério da Fazenda, e foram consolidados pela consultoria brmkt.co. A receita bruta das empresas, conhecida como Gross Gaming Revenue (GGR), foi de R$ 20,28 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 6,2% sobre os R$ 19,09 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior. O indicador corresponde ao valor que permanece com as casas depois do pagamento dos prêmios aos apostadores.
Repasses e arrecadação
Do montante obtido pelas empresas no primeiro semestre de 2026, R$ 2,49 bilhões tiveram destinação obrigatória para políticas públicas. Desse total, R$ 870,15 milhões foram direcionados ao Esporte; R$ 677,52 milhões, ao Turismo; R$ 329,08 milhões, à Segurança Pública; e R$ 493,84 milhões, à Seguridade Social e à Educação, em conjunto.
A arrecadação com tributos e licenças ou outorgas somou R$ 7,9 bilhões em 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, chegou a R$ 9,9 bilhões. A alíquota de tributos subiu de 12% para 13% neste ano e está prevista para alcançar 15% em 2028.
O governo federal recebeu R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga fixa desde o início da regulamentação até meados de 2026. Ainda não há definição sobre a permanência ou a devolução desse valor às empresas. Cada outorga custa R$ 30 milhões, e a licença tem validade de cinco anos.
Perfil dos usuários
A média mensal de apostadores recorrentes ativos em 2025 foi de 9,25 milhões. Até setembro deste ano, 31,82 milhões de CPFs únicos estavam ativos no cadastro do governo, e 30,4 milhões de pessoas fizeram ao menos uma aposta no primeiro semestre de 2026.
O público tinha predominância masculina: 68,30% eram homens e 31,70%, mulheres. Pessoas com até 40 anos representavam 71,90% dos apostadores. A divisão por faixa etária era de 29,03% entre 31 e 40 anos, 21,95% entre 25 e 30 anos e 20,92% até 24 anos.
As plataformas autorizadas devem exigir biometria facial, impedir o cadastro de menores de 18 anos e não aceitar cartão de crédito. Os pagamentos permitidos são Pix ou transferências vinculadas ao mesmo CPF. Beneficiários do Bolsa Família e do BPC, além de pessoas cadastradas no Desenrola ou no FIES, são bloqueados diariamente no sistema.
Regulamentação e empresas
As bets foram autorizadas em 2018, durante o governo de Michel Temer, mas permaneceram sem regulação até 2023, quando uma nova lei foi aprovada. O mercado regulado começou a funcionar em 2025, após regras do governo, análise do Ministério da Fazenda e pagamento das outorgas.
As plataformas registradas operam sob o domínio .bet.br. As autorizações abrangem apostas esportivas e jogos on-line, incluindo cassinos virtuais e jogos de slot ou crash. Os dados oficiais não separam a receita por modalidade, e as principais operadoras podem oferecer os dois tipos de jogo na mesma plataforma.
O mercado ilegal é estimado entre 38% e 44% do consumo total de apostas no país. O setor regulado emprega mais de 10 mil pessoas diretamente e 5,5 mil indiretamente, em áreas como tecnologia, compliance, jurídico e atendimento.
Entre as empresas citadas estão o grupo NSX, que nasceu no Recife e se expandiu para São Paulo, a Flutter Entertainment, a Betfair, a MGM Resorts, o Grupo Globo, a BetMGM, a Ana Gaming Brasil, a MagicBet777, a MeridianBet e a Sortenabet Gaming Brasil.
Em 2025, a receita bruta total do setor foi de R$ 40,69 bilhões. No mesmo ano, os depósitos chegaram a R$ 220 bilhões, enquanto cerca de R$ 183 bilhões foram pagos em prêmios e bônus aos apostadores.








