São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

BCE eleva juros para conter efeitos persistentes da energia cara

Banco Central Europeu aumentou três taxas em 0,25%, enquanto economistas avaliam novos apertos e riscos para o crescimento.

BCE eleva juros para conter efeitos persistentes da energia cara

O Banco Central Europeu (BCE) elevou em 0,25% suas três principais taxas de juros e levou a taxa de depósito para 2,5%. A decisão busca impedir que o aumento dos custos de energia se espalhe pela economia e mantenha a inflação acima da meta por um período prolongado.

O petróleo Brent voltou a superar 100 dólares por barril, enquanto o preço de referência do gás europeu, o TTF, acumula alta de 190% desde o início do ano. Na zona do euro, a inflação avançou para 3,3% em agosto, ante 2,9% em julho. Os preços de energia subiram 14,3% em termos anuais, contra 10,3% no mês anterior.

As taxas de juros não reduzem diretamente o preço do petróleo ou do gás. O objetivo do BCE é desacelerar a demanda interna e evitar que um choque externo provoque aumentos persistentes em salários, contratos, transportes, seguros e preços cobrados pelas empresas.

Pressão sobre a inflação

Os indicadores que mostram a inflação doméstica, por enquanto, apresentaram desaceleração. A inflação subjacente, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, recuou para 2,4%, ante 2,5%. A inflação dos serviços caiu para 3,0%, de 3,3%.

Christine Lagarde, presidente do BCE, afirmou que “o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas e a inflação deverá manter-se bem acima da meta durante um período prolongado”. Ela também disse que os salários ainda não demonstram reação significativa ao choque energético.

As projeções indicam inflação global de 3,0% neste ano, com revisões para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. O indicador de salários negociados do BCE aponta para alta de 2,7% na primeira metade de 2027.

A preocupação central é evitar que trabalhadores e empresas passem a incorporar aumentos permanentes em suas expectativas. Para o economista Joe Nellis, da MHA, o BCE está endurecendo a política monetária para combater uma inflação que pode se tornar estrutural, embora juros mais altos tenham efeito limitado sobre choques de oferta de curto prazo.

Possibilidade de novos aumentos

Christine Lagarde não descartou a avaliação dos mercados de que poderá haver novo aperto monetário. Ela afirmou que o conselho ainda não discutiu o caminho futuro da política e que os mercados estão fazendo seu trabalho.

Claus Vistesen, da Pantheon Macroeconomics, projeta uma alta em dezembro e outra em fevereiro, o que levaria a taxa de depósito para 3,00%. Oliver Rakau, da Oxford Economics, avaliou que a barreira para um novo aumento está baixa, embora a política continue dependente dos dados.

O custo do aperto pode atingir famílias endividadas, empresas e o mercado imobiliário. Pequenas empresas também podem adiar ou abandonar projetos diante de financiamentos mais caros. O BCE, porém, melhorou suas perspectivas de crescimento para este ano e o próximo, apoiado pela atividade tecnológica e pelo estímulo fiscal alemão.

A duração da política de juros elevados dependerá da velocidade com que as pressões sobre a energia diminuírem. A autoridade monetária tenta limitar a propagação da inflação sem comprometer ainda mais o crescimento.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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