São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Energia e juros de longo prazo concentram riscos apontados pela OCDE

Organização mantém previsão de avanço global, mas alerta que petróleo, inflação, tarifas e condições fiscais podem afetar o cenário.

Energia e juros de longo prazo concentram riscos apontados pela OCDE

A alta dos juros de longo prazo e a instabilidade nos mercados de energia estão entre os principais riscos para a economia mundial, segundo a OCDE. As taxas alcançaram os maiores níveis em 15 anos ou mais em muitas economias, em um ambiente de preocupação com a trajetória fiscal e de forte emissão de títulos por empresas ligadas à inteligência artificial (IA).

A organização projeta crescimento do PIB global de 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027. Na comparação com as estimativas divulgadas em junho, a previsão para 2026 aumentou 0,1 ponto porcentual, enquanto a de 2027 recuou 0,1 ponto.

Pressões sobre energia e inflação

O relatório interino de perspectivas econômicas, divulgado nesta quarta-feira, 23, afirma que o avanço dos preços de energia voltou a ganhar força com a piora das interrupções na produção e nas exportações no Golfo. Gargalos produtivos elevaram as margens de refino, pressionando os preços ao consumidor e os custos das empresas. Produtos agrícolas também registraram aumentos acentuados nos últimos meses, em parte por efeitos de eventos climáticos extremos sobre a oferta.

A OCDE estima que a inflação cheia do G20 diminua de 4,1% em 2026 para 3,6% em 2027. A inflação subjacente nas economias avançadas deve passar de 2,7% para 2,5% no mesmo período. No curto prazo, porém, a organização prevê alta da inflação, influenciada pelo encarecimento das commodities. A expectativa é de desaceleração gradual em 2027, com a perda de força dos preços de energia e o efeito de uma política monetária mais restritiva.

As perspectivas continuam condicionadas a uma solução duradoura para o conflito no Oriente Médio. Estoques elevados de petróleo, oferta adicional fora das economias do Golfo e medidas de apoio adotadas por governos ajudaram a limitar os efeitos sobre a atividade. Investimentos, produção e comércio também foram sustentados por atividades relacionadas à IA.

Projeções para grandes economias

Para os EUA, a OCDE prevê crescimento de 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027. As estimativas representam revisões de +0,2 ponto porcentual (pp) e +0,3 pp, respectivamente. Na zona do euro, a previsão é de expansão de 1,0% em 2026 (+0,2 pp) e de 1,0% em 2027 (-0,2 pp).

A organização manteve em 4,5% a projeção de crescimento da China em 2026. Para 2027, a estimativa foi reduzida em 0,1 pp, para 4,2%.

Políticas comerciais também aparecem entre os fatores de incerteza. Tarifas e restrições à exportação podem provocar rupturas na oferta. Segundo a OCDE, novas tarifas bilaterais dos EUA, em vigor a partir de julho, elevaram em cerca de 1 ponto porcentual a tarifa efetiva média americana.

Riscos e recomendações

A OCDE considera que uma recuperação mais rápida dos mercados de petróleo e gás poderia reduzir a inflação e apoiar a atividade. Interrupções prolongadas ou renovadas, por outro lado, poderiam combinar preços mais altos com crescimento menor. A organização também cita possíveis choques climáticos, incluindo um El Niño muito forte, com impacto sobre a produção agrícola e os preços dos alimentos.

Outro risco é uma reprecificação de ativos se os retornos dos investimentos em IA decepcionarem ou se os rendimentos dos títulos soberanos continuarem subindo. Uma adoção mais rápida da tecnologia, com ganhos de produtividade, poderia produzir crescimento acima do projetado.

A organização recomenda que os bancos centrais mantenham as expectativas de inflação ancoradas. Para isso, as autoridades podem precisar recalibrar sua atuação caso o aumento de preços se espalhe ou o cenário de expansão se deteriore de maneira significativa. A OCDE também defende supervisão cuidadosa para preservar a estabilidade financeira e o avanço de regras para intermediários financeiros não bancários e criptoativos.

Para lidar com a energia mais cara, a recomendação é que os governos adotem medidas focalizadas, preservem incentivos à redução do consumo e à diversificação de fontes e estabeleçam critérios claros para o encerramento dos programas. A alta dos rendimentos dos títulos, afirma a organização, exige controle e realocação de despesas públicas, maior eficiência do setor público e reforço das receitas em planos plurianuais críveis de consolidação fiscal.

O relatório ainda propõe reformas estruturais para elevar o crescimento potencial e a capacidade de reação a choques de oferta. Entre as medidas estão a diversificação das fontes de energia, o aumento da eficiência e ações para melhorar a adaptação dos mercados de trabalho e de produtos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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