A economia brasileira deve chegar a 2027 desequilibrada, com inflação elevada, juros altos, baixo crescimento e risco de aumento da inadimplência, segundo avaliação de Fábio Silveira, sócio da MacroSector. O economista participou de um debate sobre os desafios do próximo mandato presidencial.
Silveira estima que a inflação acumulada em 12 meses ficará entre 4,5% e 5% em 2027. Para ele, esse cenário dificultaria a redução dos juros e impediria a retomada dos investimentos. O economista também afirmou que os candidatos à Presidência ainda não apresentaram, em seus planos de governo ou discursos, sinais claros sobre o encaminhamento macroeconômico que pretendem adotar até a posse, em janeiro de 2027.
Petróleo e pressão sobre os preços
A principal preocupação apontada por Silveira é o petróleo, pressionado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Na avaliação dele, a commodity pode se aproximar de US$ 100 o barril durante 2027, afetando uma cadeia que inclui fertilizantes, plásticos, gasolina, subsídios, têxteis e vestuário.
O economista disse que os repasses já chegam aos preços de insumos usados pela indústria. Também afirmou que os preços da gasolina e do diesel estariam sendo mascarados e que, em algum momento, os repasses precisariam ser liberados, possivelmente no final do ano, para evitar novos desajustes em outros setores no ano seguinte.
Para Silveira, não há espaço para prometer melhora do bem-estar em 2027. Ele relacionou o cenário a juros elevados, crescimento baixo e inadimplência.
Possibilidade de melhora
O economista considera que o mercado imobiliário e a cadeia da construção poderiam ser beneficiados se os juros caíssem e a crise no Oriente Médio terminasse. Em uma hipótese favorável, o petróleo poderia recuar para US$ 70.
Silveira classificou essa possibilidade como remota, estimando 5% de chance. Mesmo uma eventual queda dos juros em meados de 2027 dependeria de condições externas e de uma trajetória favorável para o petróleo.







