O dólar avançava nesta segunda-feira (28), enquanto a Bolsa brasileira operava próxima da estabilidade. O movimento ocorria em um ambiente internacional de maior cautela, com alta dos preços do petróleo e busca por ativos considerados seguros, como a moeda americana.
Por volta das 13h40, o dólar subia 0,61%, cotado a R$ 5,216. O índice DXY, que compara o desempenho da divisa dos Estados Unidos com seis moedas fortes, avançava 0,14%. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,05%, aos 183.397 pontos.
Petróleo e mercados internacionais
A cotação do petróleo acelerou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta iraniana de trégua temporária na guerra no Oriente Médio. O plano havia sido apresentado pelo Irã na semana passada à Organização das Nações Unidas e previa o fim das hostilidades e a reabertura do estreito de Hormuz.
A passagem é uma rota relevante para o transporte de combustíveis dos países do Golfo. Segundo as informações apresentadas, o estreito está praticamente bloqueado pelo Irã desde o começo da guerra, no fim de fevereiro. O bloqueio do estreito de Bab el-Mandeb, atribuído aos houthis pró-Irã do Iêmen, também impede o trânsito de petróleo da Arábia Saudita.
Trump rejeitou a proposta e afirmou: “querem chegar a um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer”. O Brent avançava quase 2%, a US$ 106, enquanto o WTI subia mais de 2%, a US$ 95.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a recusa dos Estados Unidos frustrou a expectativa de uma retomada mais forte das exportações iranianas de petróleo. A alta da commodity eleva as expectativas de inflação e aumenta a cautela com ativos de risco, embora favoreça as perspectivas de receita e rentabilidade de empresas produtoras, como as petrolíferas brasileiras.
Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuavam durante a manhã. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 e 30 anos chegaram a 5,234% e 5,550%, os maiores níveis desde 2007 e 2004, respectivamente.
No Brasil, os juros futuros também subiam. As taxas dos DIs para 2027 e 2029 atingiram máximas de 13,58% e 13,96%, com altas de 3 e 15 pontos-base. Os rendimentos dos Treasuries refletem, entre outros fatores, as expectativas para juros e inflação nos Estados Unidos. As taxas dos DIs incorporam as projeções para a Selic.
Pesquisa eleitoral
Os investidores também repercutiam uma nova pesquisa presidencial Quaest sobre a reação dos eleitores à proibição das bets. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre quinta-feira (24) e domingo (27), com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 39% das intenções de voto, ante 34% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 21, os percentuais eram de 37% e 33%.
No segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro registravam 42% cada. Na rodada anterior, Lula tinha 41%, variação de um ponto percentual dentro da margem de erro.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, afirmou que o resultado mantém o empate numérico e que o mercado continua mais atento ao cenário externo e ao possível aumento da inflação.
Em setembro, o Ibovespa acumulava alta de 6,4%, enquanto o dólar recuava 0,25%. Em agosto, a Bolsa havia encerrado o mês com queda de 0,32%, e o dólar avançara 2,21%.
Ainda há incerteza sobre a política econômica dos candidatos. Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal sem mudanças na Previdência ou na política de valorização do salário mínimo. O governo Lula propõe reduzir o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal. Economistas avaliam que um ajuste duradouro teria de atingir aposentadorias e benefícios sociais.








