O dólar subia nesta quarta-feira (9), enquanto a Bolsa brasileira recuava, em um pregão influenciado pela alta do petróleo, pelas tensões no Irã e pelos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Às 12h25, a moeda americana avançava 0,38%, cotada a R$ 5,108. No mesmo horário, o índice acionário caía 1,10%, aos 185.296 pontos.
A alta do petróleo sustentava as ações da Petrobras, mas não impedia a queda da Bolsa. Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuavam até 0,77%.
O petróleo ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 25 de maio, em meio à intensificação da guerra no Irã. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou nesta quarta-feira ter atacado dez navios e lançado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia usada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. A ação, segundo o braço militar do país, foi uma resposta aos ataques americanos a cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).
A Guarda Revolucionária declarou que as embarcações tentavam passar por uma área considerada proibida e insegura do estreito de Hormuz. Antes da guerra, a passagem concentrava 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a alta do Brent e os receios sobre efeitos geopolíticos e inflação reduziram o apetite por risco no exterior, afetando ativos de países emergentes e elevando os juros dos Treasuries americanos.
Juros e fluxo para o Brasil
Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira vinha recebendo impulso das commodities, especialmente do petróleo, e da entrada de capital estrangeiro. Esse fluxo também favorecia o real, porque os investidores precisavam trocar dólares pela moeda brasileira para comprar ativos locais.
A escalada do conflito, porém, aumenta os riscos para o transporte de petróleo na região e reforça as pressões sobre a inflação. O cenário tem sido considerado por bancos centrais na formulação de políticas monetárias mais restritivas.
Os juros futuros subiam nesta quarta-feira. A taxa do DI para janeiro de 2035 avançava para 14,155%, ante 14,020% no ajuste da sessão anterior, uma diferença de 13 pontos-base.
Fernando Saad Bernardes, estrategista global da Avenue, afirmou que o Brasil vinha se beneficiando da valorização do petróleo por causa dos termos de troca, mas que esse efeito não se repetia no início do pregão. Para ele, o mercado demonstrava mais cautela com o país.
Eleições e crise no STF
Os investidores também reagiam a pesquisas sobre a eleição brasileira. Divulgado durante o feriado de 7 de setembro, um levantamento da Quaest apontou empate numérico entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno: 41% das intenções de voto para cada um. A margem de erro era de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada na última terça-feira indicou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno. Na semana anterior, os percentuais eram de 37% e 31%, respectivamente.
A disputa eleitoral ocorre em meio à crise no STF. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram, segundo o texto da investigação, uma atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.
A decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo da investigação mostrou que Vorcaro havia perguntado a Moraes se deveria deixar o país dias antes de ser preso pela Polícia Federal.
Na terça-feira, Mendonça afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e determinou também o afastamento preventivo de Leandro Almada, diretor de Inteligência da instituição. A decisão relacionou as medidas à elaboração de um relatório interno da PF usado por Moraes em uma resposta a Mendonça.
Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino reintegrou Rodrigues e Almada aos cargos.
Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a crise no STF aumenta a percepção de instabilidade institucional e pode elevar os prêmios de risco e pressionar o real. O analista também afirmou que o ambiente político pode mudar as expectativas para a eleição de 2026.
Mattos avaliou que a possibilidade de alternância de poder tem favorecido a moeda brasileira por causa da expectativa de uma política fiscal mais conservadora. Analistas consideram que Flávio Bolsonaro tem perfil mais alinhado à disciplina das contas públicas.
O candidato do PL já declarou que pretende ajustar a dívida pública sem alterar a Previdência Social nem a política de valorização do salário mínimo. Lula disse não estar preocupado com a dívida pública brasileira, mas afirmou que a responsabilidade fiscal orienta sua atuação.








