A Bolsa brasileira operava em alta nesta terça-feira (15), apoiada pela valorização do petróleo e pelo desempenho das ações do setor. Por volta das 13h25, o índice avançava 0,58%, aos 186.590 pontos. No mesmo horário, o dólar recuava 0,02%, cotado a R$ 5,146.
O petróleo Brent, referência mundial, chegou a subir 2,88% durante o dia, a US$ 108,73. A valorização favorecia as ações da Petrobras, que subiam 3% e representam cerca de 13% do Ibovespa.
Conflito e decisões de juros
A tensão relacionada à guerra do Irã continuava entre os fatores acompanhados pelos investidores. A escalada do conflito elevou os riscos para as exportações sauditas pelo Mar Vermelho depois da obstrução do estreito de Hormuz. Antes da guerra, a passagem respondia pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Na segunda-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse estar “aberto” a conversar com Teerã. Um dia antes, ele havia afirmado que não negociaria com o Irã até o fim das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro.
Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança iraniana, condicionou a retomada das negociações à aceitação das exigências do país. “Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!”, escreveu na rede social X.
A possibilidade de inflação mais alta aumenta a cautela do mercado e pode manter os juros elevados por mais tempo. O Copom e o Federal Reserve têm decisões previstas para quarta-feira (16).
O Boletim Focus estima que o IPCA termine 2026 em 4,90%, acima do teto da meta, de 4,5%. A meta tem centro de 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Nos Estados Unidos, o CPI subiu 0,4% em agosto e acumulou alta de 3,4% nos 12 meses até agosto. Analistas esperam que o Federal Reserve eleve os juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%. No Brasil, a previsão é de redução da Selic para 13,75%, contra os atuais 14%.
Cenário político brasileiro
A sessão prevista para esta terça-feira (15) sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também estava no radar dos investidores. O julgamento envolve mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, do Banco Master.
A divulgação do conteúdo provocou mudanças na condução de investigações no Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes deixou a relatoria do inquérito das fake news, enquanto André Mendonça foi afastado da relatoria dos casos do Banco Master e do INSS relacionados à ligação entre o ministro e Vorcaro.
Para Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, o mercado avalia como os candidatos se posicionarão diante do julgamento, da continuidade das investigações e de possíveis medidas para postergar a votação.








