SÃO PAULO — A alta do petróleo e a perspectiva de juros maiores nos Estados Unidos pressionaram os mercados brasileiros nesta quinta-feira, 24. O Ibovespa caiu 0,99%, aos 183.965,91 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 0,49% e encerrou o pregão a R$ 5,1937.
A moeda norte-americana chegou a R$ 5,2019 durante o dia, no maior nível de fechamento desde 28 de agosto. Com a valorização dos dois últimos pregões, o dólar passou a acumular alta de 0,26% em setembro, depois de subir 2,16% no mês passado.
Pressão externa
O barril do Brent para dezembro subiu 3,41%, a US$ 106,60. O petróleo acumulou valorização de quase 4% na semana e de mais de 18% no mês. Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a combinação de petróleo mais caro, dólar fortalecido e juros maiores dos títulos do Tesouro americano afetou as moedas de países emergentes.
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,18% perto do fim da tarde, aos 101,274 pontos. O indicador chegou a 101,398 pontos, nos maiores níveis desde julho.
Dados recentes reforçaram a percepção de resistência da economia dos Estados Unidos. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego ficaram abaixo do esperado, enquanto as vendas de moradias novas em agosto superaram as previsões. Dirigentes do Federal Reserve também defenderam uma postura mais dura contra a inflação.
Anna Paulson, presidente do distrito do Fed na Filadélfia, afirmou que o banco central americano pode precisar elevar novamente os juros. Beth Hammack, de Cleveland, disse que a inflação continua elevada e apresenta riscos de alta. Tom Barkin, de Richmond, avaliou que pressões recentes sobre os preços podem durar mais do que o previsto.
Bolsa e cenário político
O Ibovespa renovou a mínima ao longo da tarde, em 183.834,97 pontos, com giro financeiro de R$ 19 bilhões. O movimento ocorreu em um ambiente de maior cautela com ativos de risco, sobretudo nos mercados emergentes. Em Nova York, o EEM, principal ETF ligado a esses mercados, recuou 0,70%.
Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office, afirmou que os ativos locais foram influenciados pela aversão global ao risco e pelo noticiário político-eleitoral. Segundo ele, a queda das ações da Petrobras, apesar da alta do petróleo, indicou preocupação com uma possível adaptação da política monetária doméstica ao cenário externo.
Operadores também relacionaram as máximas do dólar a informações sobre contatos do senador Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. O candidato do PL à Presidência tentou falar por telefone com o ex-controlador do Master quatro dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro do ano passado. Também foi divulgado que Flávio viajou da Flórida a Brasília, em 2025, em um avião que tinha Vorcaro entre os cotistas.
Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, avaliou que o otimismo com uma eventual vitória da oposição perdeu força após a estagnação das intenções de voto de Flávio Bolsonaro. Investidores aguardavam uma nova pesquisa do Datafolha no período da noite.
Juros futuros
Os contratos de juros futuros subiram com a abertura dos Treasuries e o aumento do petróleo. O DI para janeiro de 2027 passou de 13,541% para 13,565%. O contrato para janeiro de 2029 avançou de 13,787% para 13,88%, e o DI para janeiro de 2031 subiu de 13,965% para 14,045%.
Por volta das 17h30, o rendimento da T-Note de dois anos estava em 4,940%, ante 4,895%. O título de dez anos passou de 5,116% para 5,22%, enquanto o T-Bond de 30 anos avançou de 5,402% para 5,497%.
O Relatório de Política Monetária reforçou que ainda há espaço para cortes da Selic, mas indicou que os próximos passos dependerão da evolução dos dados. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o documento manteve aberta a possibilidade de novas reduções do juro básico, embora tenha sido “um pouco decepcionante”.








