O dólar avançava nesta segunda-feira (14), enquanto a Bolsa recuava, em um pregão marcado pela alta do petróleo no exterior e pela cautela dos investidores com os efeitos da tensão no Oriente Médio sobre os mercados emergentes.
Às 13h10, a moeda americana subia 0,57%, cotada a R$ 5,152. No exterior, o índice DXY, que compara o dólar com seis moedas fortes, avançava 0,38%. No mesmo horário, a Bolsa caía 0,83%, aos 185.652 pontos. As ações de empresas petrolíferas operavam em alta, mas não conseguiam sustentar o desempenho geral do mercado.
O petróleo Brent, referência internacional, subia 4,90%, para US$ 109,74, na máxima do dia. A valorização ocorreu após ataques de drones atingirem um oleoduto na Arábia Saudita e provocarem a suspensão temporária das operações da instalação. O grupo houthis, do Iêmen e aliado ao Irã, também confirmou o lançamento de “dezenas de mísseis balísticos e drones” contra alvos militares no sul saudita.
A situação elevou os riscos para as exportações de petróleo pelo Mar Vermelho, após a obstrução do estreito de Hormuz. Antes do conflito, a passagem respondia pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Os países do Golfo adiaram uma reunião sobre a gestão do estreito, que reuniria representantes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait, do Catar, de Omã e do Bahrein com o chanceler iraniano.
Para Bruno Cordeiro, analista da StoneX, os investidores temem uma redução das exportações sauditas pelo Mar Vermelho. Felipe Cima, da Manchester Investimentos, afirmou que a alta do petróleo favorece a Petrobras, mas também amplia os riscos de inflação e de manutenção dos juros em níveis elevados.
Inflação, juros e cenário político
O Boletim Focus prevê que o IPCA termine 2026 em 4,90%, acima do teto da meta de 3%, de 4,5%, considerando a tolerância de 1,5 ponto percentual. O mercado espera que o Federal Reserve eleve os juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante 3,5% a 3,75%. No Brasil, a expectativa é de redução da Selic para 13,75%, ante 14%.
O cenário político também permaneceu no radar. Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (11), Luiz Inácio Lula da Silva apareceu numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro e no segundo turnos. Lula registrou 39% contra 35% de Flávio no primeiro turno e 46% contra 44% no segundo.
Na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula no segundo turno, com 42% contra 40%.
A crise envolvendo o STF também foi considerada pelos investidores. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação de Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. Após a retirada do sigilo da investigação, Vorcaro foi citado como tendo perguntado a Moraes se deveria deixar o país.
Moraes pediu a Edson Fachin a investigação de André Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS. Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e Mendonça do procedimento que apura a ligação entre Moraes e Vorcaro.








