O dólar fechou em alta de 1,28%, a R$ 5,168, nesta quarta-feira (23), em um pregão marcado pela cautela dos investidores. A falta de acordos sobre a guerra no Irã e a retomada do petróleo ao patamar de US$ 100 aumentaram a aversão ao risco nos mercados globais e pressionaram ativos de países emergentes.
A Bolsa também terminou o dia em baixa. O Ibovespa recuou 0,85%, para 185.814 pontos, depois de subir 0,72% na máxima da sessão. As ações da Petrobras avançaram mais de 2%, impulsionadas pelo petróleo e pela elevação da recomendação dos papéis para compra pelo UBS BB. O desempenho positivo da estatal, porém, não compensou a queda dos bancos.
Por volta das 17h, o petróleo Brent subia 4,42%, a U$ 103,62. O avanço ocorreu em meio ao ritmo tímido das negociações entre Washington e Teerã. Na terça-feira, Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, conversou com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados dos EUA, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Também havia a possibilidade de um encontro entre Donald Trump e Masoud Pezeshkian nesta semana.
O tráfego pelo estreito de Hormuz continuava paralisado. Na segunda-feira, os EUA anunciaram que as companhias aéreas iranianas teriam as operações interrompidas nesta quarta-feira (23). Teerã prometeu retaliar se países vizinhos cooperassem com os Estados Unidos e suspendessem os voos iranianos.
Pressões externas e cenário eleitoral
A alta do petróleo elevou as perspectivas de inflação e reforçou o temor de que os juros permaneçam elevados por mais tempo. Ao mesmo tempo, a valorização da commodity favorece empresas produtoras, ao melhorar as expectativas de receita, geração de caixa e rentabilidade.
Nos EUA, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuaram 0,75%, 0,74% e 1,14%, respectivamente. O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 5,132% na máxima, o maior nível desde junho de 2007.
O PMI dos EUA subiu a 58,4 em setembro, ante expectativa de queda para 55,3. O resultado reforçou a percepção de uma atividade econômica resiliente e alimentou preocupações com novas pressões inflacionárias.
No cenário doméstico, pesquisa Atlas indicou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com vantagem numérica do presidente. Lula registrou 47,7% das intenções de voto, contra 47,4% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado em 17 de setembro, os percentuais eram de 46,8% e 47,2%, respectivamente.
Analistas do mercado financeiro avaliaram que o resultado trouxe cautela diante dos riscos fiscais associados à continuidade da política atual. Felipe Cima, da Manchester Investimentos, afirmou que o quadro permanece difícil de prever. Rodrigo Marcatti, da Veedha Investimentos, disse que a pesquisa mostra a força da candidatura de Flávio Bolsonaro.








