Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, apresentou à Procuradoria-Geral da República documentos sobre operações que, segundo seu depoimento, envolveram transferências bancárias, contratos de mútuo, compra de malas e entrega de dinheiro em espécie. Ele também forneceu uma relação com datas e valores das transações.
Relato sobre as entregas
Mineiro afirmou que recebia, por WhatsApp, solicitações de Daniel Vorcaro e de pessoas ligadas a ele para obter dinheiro vivo. Entre os citados está Fabiano Zettel, cunhado do empresário. Para atender aos pedidos, o empresário disse que fazia transferências para empresas indicadas por três operadores, que providenciavam as quantias em espécie.
Os valores eram registrados em contratos de mútuo firmados com a Entre Investimentos, empresa de Mineiro. Depois, os operadores levavam o dinheiro à sede da companhia, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Conforme o depoimento, Mineiro combinava por mensagens com Zettel os locais de entrega. As malas eram deixadas no estacionamento da empresa ou na garagem do prédio onde Zettel morava.
Uma das empresas mencionadas no relato seria uma distribuidora de combustíveis que já teria aparecido nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo. Mineiro declarou que recebia uma comissão de 1%, enquanto os operadores ficavam com cerca de 4%.
Confirmação do acordo
Na terça-feira (8), durante audiência com um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Mineiro confirmou que aderiu voluntariamente ao acordo de delação premiada firmado com a PGR. A confirmação é necessária para que a Justiça possa analisar a homologação.
O acordo foi assinado em 8 de agosto, mas Mendonça ainda não definiu quando decidirá sobre sua validade. O caso envolve o Banco Master, extinto e de propriedade de Vorcaro.
Segundo o depoimento, Mineiro teria movimentado aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 a pedido de Vorcaro e de pessoas próximas ao banqueiro. Parte dos recursos teria sido convertida em dinheiro vivo para supostos pagamentos de propina.
A Entre Investimentos também fez repasses destinados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o relato apresentado à PGR, cerca de US$ 12,3 milhões foram enviados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Mineiro afirmou que os recursos para a produção teriam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.








