O governo Lula anunciou reajuste do Bolsa Família e prepara medidas para restringir apostas online e reduzir o endividamento das famílias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. As iniciativas ocorrem em um cenário de desaceleração do PIB e insatisfação da população com a renda.
Em agosto de 2026, o endividamento das famílias brasileiras permaneceu em nível recorde pelo sétimo mês consecutivo. Dados da CNC indicam que 82% das famílias estavam endividadas no período. O percentual foi registrado mesmo após o Desenrola 2, realizado de maio a agosto de 2026, com renegociação de dívidas, juros de até 1,99% e descontos de até 90%.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prepara outro programa, desta vez voltado principalmente a dívidas antigas. “Esse programa vai olhar para a recompra de dívida e menos para a renegociação que as pessoas já fizeram”, disse. O formato e o prazo ainda não foram divulgados.
Juros e apostas
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (16), levando a taxa básica a 13,75% ao ano. A decisão ocorreu na última reunião do comitê antes da eleição. Lula tem criticado o ritmo dos cortes e voltou a questionar a autonomia do Banco Central.
O presidente também intensificou as críticas às bets em setembro de 2026. Em 1º de setembro, afirmou que precisava tomar uma “decisão mais drástica” sobre as plataformas. O governo prepara uma medida provisória para proibir cassinos online e restringir apostas esportivas, mas o texto ainda não é público.
Um estudo do Made-USP estimou que as apostas online retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões, equivalentes a 0,9% a 1,1% do PIB de 2025.
Peso eleitoral
Para Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política na Universidade de Duke, a economia continua relevante, mas não deve ser o fator determinante da eleição. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) apontou violência (31%) e corrupção (22%) como as principais preocupações; a economia apareceu com 19%.
João Gabriel Araújo, professor e pesquisador da Universidade de Brasília, avaliou que o peso econômico será menor do que em outras eleições. Ele citou possíveis medidas como facilitação de crédito por bancos públicos, reajuste do salário mínimo acima do teto e o aumento do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691.
O reajuste anunciado em setembro de 2026 foi de 15,04%. O novo valor começará a ser pago em 19 de outubro, antes do segundo turno, marcado para o dia 25. Os pesquisadores também disseram que novas medidas ainda podem ser lançadas, mas avaliaram que ações contra o endividamento e as bets terão impacto limitado antes das votações.








