As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegaram ao primeiro mês com pouca variação nas intenções de voto. Os dois candidatos são os principais nomes na disputa pela Presidência, iniciada oficialmente em 16 de agosto, e enfrentam um cenário em que a crise do Supremo Tribunal Federal deslocou parte da atenção do debate eleitoral.
No segundo turno, uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) mostrou Flávio com 42% e Lula com 40%. A diferença está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. Levantamento Datafolha divulgado na quinta-feira (17) também apontou uma disputa apertada: Lula tinha 39% no primeiro turno e 46% no segundo; Flávio, 36% e 44%, respectivamente. A margem de erro era de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A estratégia de Lula
Os programas de Lula destacaram soberania nacional, defesa da democracia e realizações de seus governos. A campanha citou o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, a formação universitária, indicadores econômicos e o programa Pé-de-Meia. Segurança pública, economia, poder de compra e críticas ao bolsonarismo também apareceram nos materiais.
Na segurança, Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, entregue ao Congresso Nacional em 2025. A votação na Comissão de Constituição e Justiça começou em 2 de setembro, mas não foi concluída. O candidato também afirmou que pretende combater o crime com medidas que vão “da esquina ao andar de cima”.
Para Marcos Marinho, professor da PUC-Goiás, a campanha dedicou tempo excessivo à defesa do legado e apresentou poucas propostas para o quarto mandato. Adriano Oliveira, professor da UFPE, considera positivo o resgate dos mandatos anteriores, mas avalia que a impopularidade estrutural dificulta o crescimento do candidato.
Márcia Ribeiro Dias, diretora da Escola de Ciência Política da Unirio, afirmou que já existe uma discussão programática nas redes sociais e que isso é positivo para o debate público.
A estratégia de Flávio
Flávio Bolsonaro concentrou sua campanha em segurança, economia, críticas ao Supremo Tribunal Federal e alinhamento internacional com os Estados Unidos. Entre as propostas mencionadas estão a redução da maioridade penal para 16 anos e a castração química de criminosos que abusem de mulheres e crianças.
O senador também procurou enfatizar sua atuação em favor do empreendedorismo e criticou o que chama de excesso de burocracia para abrir pequenos negócios. Na área política, associou Lula a problemas de segurança e afirmou que a vitória de sua candidatura seria o “único jeito de libertar o Supremo e proteger as instituições”.
Segundo Marinho, a campanha identificou temas sensíveis para os eleitores, mas apresenta propostas pouco aprofundadas. Para o professor, Flávio ainda precisa construir uma identidade própria, pois herdou eleitores e capital político de Jair Bolsonaro.
A campanha de Flávio também convive com menções a suspeitas relacionadas às rachadinhas, a investigações sobre uma loja de chocolates, a um empréstimo de R$ 3,1 milhões para a compra de uma mansão e ao caso Dark Horse. Marinho avalia que esses episódios podem já estar incorporados à avaliação do eleitor sobre o candidato.








