São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Empate eleitoral pode reduzir compras de maior valor no comércio brasileiro

Estudo do IBEVAR-FIA aponta risco de adiamento de até R$ 62 bilhões no varejo em um cenário de disputa apertada.

Empate eleitoral pode reduzir compras de maior valor no comércio brasileiro

O varejo brasileiro pode deixar de movimentar até R$ 62 bilhões no trimestre da eleição caso a disputa presidencial permaneça tecnicamente empatada. O cálculo é do IBEVAR-FIA Business School, que analisou dados de vendas apurados pelo IBGE e comparou o desempenho do setor com o ritmo da economia, medido pelo IBC-Br do Banco Central.

A pesquisa mostra que o efeito se concentra nas compras que podem ser adiadas. Em eleições definidas por menos de 5 pontos no segundo turno, o varejo ampliado ficou abaixo do ritmo da economia: 2,3 pontos em 2014 e 4,8 pontos em 2022. Em disputas sem acirramento semelhante, o setor chegou a registrar vantagem de até 3,9 pontos.

Bens duráveis concentram o recuo

Veículos, motos e peças tiveram queda de 12,8 pontos percentuais em relação ao padrão observado em eleições de empate técnico. O recuo chegou a 11,2 pontos em móveis e eletrodomésticos e a 7,4 pontos em material de construção. Nesse último segmento, o resultado negativo alcançou 14,3 pontos em 2022.

O varejo restrito, associado às compras do dia a dia, recuou 2,4 pontos. Para o estudo, os dados indicam que o consumo não desaparece completamente, mas parte das aquisições é postergada até a definição do resultado.

O varejo ampliado fatura cerca de R$ 4,3 trilhões por ano, ou R$ 1,08 trilhão por trimestre. Nesse cálculo, cada ponto percentual perdido equivale a R$ 10,8 bilhões. Nas duas eleições de empate técnico analisadas, a diferença acumulada foi de 5,8 pontos, correspondente ao freio de até R$ 62 bilhões.

Indicadores apontam incerteza elevada

O EPU-Brasil, índice de incerteza de política econômica, atingiu 238 pontos no início de 2026, acima dos 177 pontos registrados em 2022 e dos 146 pontos de 2014. O estudo afirma que esse é o maior nível registrado nesse momento de um ano de eleição presidencial.

Também em 2026, o material de construção acumula desempenho 2,7 pontos abaixo do ritmo da economia. A confiança do consumidor medida pela FGV caiu pela quarta vez seguida, para 84,7 pontos. A piora ficou concentrada nas expectativas, que recuaram 5,4 pontos, enquanto a avaliação da situação atual caiu 0,6 ponto.

As projeções de PIB para 2027 no boletim Focus apresentam dispersão três vezes maior que as estimativas para 2026. O levantamento relaciona essa diferença à incerteza sobre o período posterior à eleição.

Recuperação após a votação

Depois da eleição, o varejo ampliado costuma crescer 1,5% entre novembro e janeiro, ante 0,9% nos anos sem disputa acirrada. Nas eleições de 2014 e 2022, porém, a expansão posterior foi de apenas 0,1% e 0,5%, respectivamente.

O estudo também registra movimentos simultâneos de estímulo e cautela. Os emplacamentos de veículos subiram 16,9% em agosto, o terceiro melhor resultado da história para o mês, segundo a Fenabrave. Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, destacou ainda a proximidade entre um eventual segundo turno no domingo (25), a Black Friday na sexta-feira (27) e o Natal.

A análise utiliza vendas e indicadores econômicos públicos, como PMC/IBGE, IBC-Br/BCB, EPU-Brasil, Focus/BCB, FGV e Fenabrave. Não foram coletados dados de opinião ou intenção de voto, e o estudo não atribui os resultados a candidatos, partidos ou campos políticos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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