MOSCOU — Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Moscou neste sábado para apresentar uma proposta dos Estados Unidos destinada a encerrar a guerra na Ucrânia. A Rússia sinalizou que vê poucas possibilidades de avanço, e autoridades em Kiev também demonstraram cautela.
Donald Trump afirmou na sexta-feira, no Salão Oval, que os representantes americanos estavam levando uma proposta para encerrar o conflito, mas não divulgou detalhes. Pessoas próximas ao Kremlin disseram que as expectativas para a visita são baixas e que viagens anteriores dos dois enviados não produziram progresso.
Vladimir Putin aceita interromper a guerra apenas sob condições definidas por Moscou, segundo essas pessoas. As exigências russas estariam mais rígidas porque o país considera ter vantagem militar sobre a Ucrânia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Witkoff e Kushner pretendem viajar à Ucrânia no domingo. Seria a primeira visita dos dois ao país desde o início da guerra. Zelensky disse que Kiev quer tornar o encontro construtivo e substantivo e informou que a Ucrânia não fará ataques aéreos durante o período necessário para a visita. O governo ucraniano espera que a Rússia adote a mesma medida.
Ataques durante a tentativa diplomática
O Estado-Maior da Ucrânia informou que forças russas lançaram mísseis balísticos Iskander-M e KN-23, além de 167 drones, contra o território ucraniano durante a noite. O Ministério da Defesa da Rússia declarou que os alvos incluíram siderúrgicas na região de Dnipropetrovsk e depósitos de combustível próximos ao aeródromo de Hostomel, nos arredores de Kiev.
Zelensky afirmou que os ataques contra aeroportos em Kiev e Boryspil foram uma reação às conversas e aos preparativos para uma possível viagem dos americanos em aeronave. Ele também disse que a Ucrânia tem interesse em aproximar a paz.
Pessoas familiarizadas com a avaliação em Kiev disseram que o governo ucraniano não espera avanços significativos. Entre as ideias que os enviados americanos podem defender está a transformação de Donbas em uma zona econômica livre, proposta já rejeitada pela Rússia.
O Ministério da Defesa russo também informou que derrubou 53 drones ucranianos em nove regiões, incluindo Moscou. A atividade teria sido menor que nos últimos dias, quando centenas de drones foram lançados contra alvos russos.







