A Afya ficará com 69% do grupo resultante da fusão com a Yduqs, enquanto os acionistas da empresa dona da Estácio e do Ibmec terão 31%. A operação foi confirmada pelas companhias no fim da noite desta quarta-feira (23) e ainda depende da análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A conclusão está prevista para ocorrer até 31 de março de 2028.
A Yduqs continuará listada no Novo Mercado da B3. Pelos termos anunciados, a Afya será incorporada pela Yduqs e depois extinta. O acordo havia sido antecipado pelas duas empresas no fim de agosto, quando informaram que discutiam uma possível fusão.
Escala no ensino médico
As companhias afirmam que a combinação permitirá ampliar as operações em áreas complementares. A Afya poderá ganhar escala diante do aumento do número de cursos de medicina no país e da concorrência no segmento. A Yduqs, por sua vez, acrescentará ao portfólio uma rede voltada à área de saúde.
“A operação visa combinar duas plataformas complementares de educação superior no Brasil”, diz o comunicado divulgado pela Yduqs ao mercado.
Juntas, Yduqs e Afya somariam mais de R$ 9,2 bilhões em valor de mercado. A Yduqs é avaliada em R$ 2,98 bilhões. A Afya, que tem ações listadas em Nova York, vale US$ 1,2 bilhão, ou R$ 6,2 bilhões.
A projeção das empresas é que a transação produza entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias. Até 80% desse valor poderia ser alcançado nos primeiros três anos após o fechamento do negócio.
A Afya opera 38 instituições de saúde no Brasil. Desse total, 32 oferecem cursos de medicina e 25 têm programas de pós-graduação e educação continuada em áreas de saúde e médicas. A Yduqs reúne 11,8 mil alunos de medicina e 380 mil estudantes no ensino presencial.
Segundo Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação, as empresas terão cerca de 38 mil alunos e quase 5,9 mil vagas anuais em medicina. Os números também foram confirmados no comunicado da Yduqs.
Educação continuada e soluções digitais
Uma das prioridades será a educação continuada, com cursos preparatórios para exames de residência, pós-graduação médica e provas de título ou especialização. A Afya tinha mais de 56 mil alunos ativos nessa frente no fim de junho deste ano.
A outra frente será a oferta de soluções para a prática médica. A empresa atua como uma medtech e mantém recursos digitais, como o Whitebook, voltado ao apoio à decisão clínica, além de ferramentas com inteligência artificial.
Na Idomed, unidade de medicina da Yduqs, o tíquete médio de um estudante matriculado há mais de um ano foi de R$ 13.037 no primeiro semestre. Nos demais cursos presenciais da companhia, a mensalidade média foi de R$ 973.
Resultados e estrutura acionária
O acordo prevê ainda o pagamento de ao menos R$ 750 milhões em dividendos pela companhia brasileira, desde que sejam cumpridas as condições precedentes. Os principais acionistas da Yduqs — a família Zaher e a Advent — e da Afya — a Bertelsmann e a família Esteves — firmarão um compromisso para participar das assembleias e votar a favor da operação. O acordo também restringe a venda das ações de sua titularidade antes e após essas assembleias.
No segundo trimestre deste ano, a Yduqs registrou lucro líquido de R$ 14 milhões, queda de 54,2% em relação ao mesmo período de 2026. No primeiro semestre, o resultado foi de R$ 11 milhões, recuo de 11% na comparação anual. A Afya teve lucro líquido de R$ 463 milhões nos seis primeiros meses do ano, alta de 6,8% ante o mesmo período de 2025.
A Yduqs foi assessorada pelo BTG Pactual e por escritórios de advocacia. A Afya recebeu apoio do Bank of America Merrill Lynch, Banco Múltiplo e escritórios jurídicos.







