O governo deve ouvir dirigentes de clubes em uma reunião marcada para esta terça-feira, enquanto equipes avaliam os efeitos da proibição das bets sobre suas receitas. O Planalto ainda não decidiu se adotará alguma medida para reduzir o impacto. Empresas do setor já avisaram times sobre a possibilidade de rescindir contratos.
A concentração de patrocínios no mercado de apostas é alta: 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro têm acordos com empresas desse segmento. O Flamengo, que pode perder receitas com a restrição, mantém contrato com a Betano no valor de R$ 268,5 milhões por temporada. A primeira-dama, Janja, acompanhou a cerimônia em que Lula falou sobre o tema usando uma camisa do clube.
Durante o evento de sanção de medidas voltadas ao futebol feminino, o presidente rejeitou a avaliação de que o fim das bets prejudicará o esporte. Lula afirmou que os clubes devem buscar outras fontes de receita e relacionou as apostas ao endividamento de famílias.
“Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol”, disse. Em seguida, defendeu a transformação dos clubes em empresas e cobrou preparo dos responsáveis pela administração: “Agora é preciso colocar gente de competência para fazer empresa”.
Regras para as plataformas
Publicada na última sexta-feira, a medida provisória proibiu novos depósitos nas plataformas e determinou que os apostadores retirem o dinheiro disponível até 5 de outubro. O encerramento dos sites e aplicativos está previsto para o dia seguinte.
Entidades que representam as bets recorreram nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a medida. Lula chamou as empresas de apostas de “máquina de matar o povo pobre” e disse que, para continuar lucrando, o setor deverá buscar outra atividade, com geração de empregos de qualidade.
A reunião desta terça-feira também deve permitir ao governo dimensionar quanto cada clube deixará de receber após a restrição.








