O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a criação de regras multilaterais e de uma supervisão independente para lidar com os riscos da inteligência artificial (IA). A declaração foi feita nesta terça-feira, durante seu último discurso como líder da organização, na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
Guterres pediu aos líderes que promovam condições para o desenvolvimento responsável da tecnologia e adotem salvaguardas adicionais. Também afirmou ser necessário “trabalhar em prol de um quadro multilateral de gestão de riscos da IA, apoiado por uma supervisão credível e independente”.
O tema estará novamente no centro das discussões na quarta-feira, quando o Conselho de Segurança da ONU receberá executivos de empresas envolvidas no desenvolvimento da tecnologia. Participarão Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Sam Altman, CEO da OpenAI. Também estão previstos pronunciamentos de Yoshua Bengio, copresidente do painel da ONU sobre IA, e Clement Delangue, CEO da Hugging Face.
A startup chinesa DeepSeek apresentará um relatório ao Conselho, mas seu fundador, Liang Wenfeng, não planeja comparecer. Em 2023, a ONU criou um órgão consultivo sobre IA com 39 membros, entre executivos de empresas de tecnologia, funcionários de governos e acadêmicos de países como EUA, Rússia e Japão.
Disputa entre Estados Unidos e China
A inteligência artificial também será uma das principais pautas do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. A reunião ocorrerá na quinta-feira, em Washington, durante a visita de Estado do líder chinês. Trump oferecerá um jantar com convidados, entre eles executivos do setor de tecnologia.
No domingo, autoridades dos dois países discutiram a criação de um sistema de notificação para alertas sobre questões de segurança nacional ligadas à IA. Participaram das negociações o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent; o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer; e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng.
A China vem diminuindo a distância em relação aos Estados Unidos no desenvolvimento de IA avançada. Washington tenta limitar esse avanço com restrições à exportação de chips avançados para o país, especialmente semicondutores da Nvidia. Ainda há expectativa de um acordo entre as duas potências, mas não é considerado provável um consenso para reduzir o ritmo do desenvolvimento da tecnologia ou adotar salvaguardas em escala mundial.








