O Ibovespa encerrou a quarta-feira (23) aos 185 814,09 pontos, com queda de 0,86%, após atingir a mínima de 185.676,38 pontos durante a tarde. O movimento de baixa ganhou força na hora final do pregão, em meio à retomada da cautela nos mercados. O giro financeiro do dia foi de R$ 20 bilhões, e o índice ainda acumula alta de 4,73% no mês.
A pressão veio principalmente do ambiente internacional. O petróleo Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu 2,84% e fechou a US$ 98,12 o barril. A valorização impulsionou as ações da Petrobras, que avançaram quase 3% no dia.
O mercado esperava novos avanços nas negociações entre EUA e Irã sobre o fim da guerra no Oriente Médio. Como isso não ocorreu, a alta do petróleo reacendeu preocupações com um movimento inflacionário global. Para Pedro Galdi, analista de investimentos da AGF Investimentos, a queda do petróleo vinha apoiada em expectativas frágeis de um acordo próximo entre os dois países.
Também pesaram os índices dos gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) dos setores de serviços e industrial dos EUA. Os indicadores ficaram acima das projeções e alcançaram os níveis mais altos desde 2022. Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, afirmou que os dados elevaram as apostas em juros mais altos nos EUA, em um cenário de alta dos Treasuries.
Política doméstica volta ao radar
Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avaliou que a alta registrada pelo Ibovespa no início do dia teve pouca convicção e foi sustentada principalmente pelo desempenho da Petrobras. Segundo ele, o cenário externo desfavorável aos ativos de risco e fatores políticos domésticos também influenciaram os investidores.
Bassani citou a pesquisa Atlas/Bloomberg, que mostrou o presidente Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, ainda em empate técnico. Para o especialista, a reação do mercado está relacionada à trajetória da dívida e à falta de um sinal claro de compromisso com as contas públicas, o que mantém a cobrança por juros mais altos para financiar o país.







