SÃO PAULO — O dólar subiu 1,28% nesta quarta-feira, 23, e terminou o pregão cotado a R$ 5,1682. A valorização acompanhou o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, em um dia marcado pela alta do petróleo, por dados fortes da economia dos Estados Unidos e pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
A cotação ultrapassou R$ 5,15 no fim da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,1760 à tarde. O fechamento foi o maior desde 31 de agosto, quando terminou em R$ 5,1801. Apesar da alta no dia, o dólar ainda acumula queda de 0,23% no mês, depois de avançar 2,16% em agosto. No ano, a baixa é de 5,84%.
A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada antes da abertura dos negócios, mostrou empate técnico em eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lula aparece com 47,7% das intenções de voto, ante 47,4% de Flávio Bolsonaro.
Para Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, os dados de atividade dos Estados Unidos e a alta do petróleo foram os principais fatores para o avanço do dólar. A pesquisa preliminar da S&P Global indicou que o índice de gerentes de compras composto, que reúne serviços e indústria, subiu em setembro acima das expectativas e atingiu o maior nível em 62 meses.
O petróleo voltou a subir depois de não haver progresso concreto nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O Brent para novembro fechou com alta de 2,84%, a US$ 98,12. O contrato para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), também encerrou o dia a US$ 98,12 por barril e impulsionou a Petrobras, que avançou quase 3%.
O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, superou 101,000 pontos e operava perto do fim da tarde em 101,100 pontos, com alta de 0,50%. A máxima foi de 101,231 pontos. Os níveis foram os maiores desde o fim de julho.
O Ibovespa caiu 0,86%, aos 185 814,09 pontos, depois de atingir a mínima de 185.676,38 pontos. O giro financeiro somou R$ 20 bilhões. Mesmo com a queda, o índice acumulou alta de 4,73% no mês.
Juros e cenário externo
Os rendimentos dos Treasuries avançaram diante da combinação entre o encarecimento da energia e os sinais de aquecimento da economia americana. O rendimento da T-note de 10 anos atingiu o maior nível desde julho de 2007, enquanto o T-bond de 30 anos alcançou o maior patamar em 22 anos.
Às 18h01, o rendimento da T-note de dois anos subia de 4,747% para 4,895%, e o da T-note de dez anos avançava de 4,970% para 5,115%. Dados do CME Group indicaram que as chances de uma alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica americana até o fim do ano se tornaram majoritárias.
No mercado brasileiro, os juros futuros acompanharam a alta dos Treasuries e do dólar. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,53% para 13,555%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 13,67% para 13,795%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 avançou de 13,864% para 13,985%.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que a reunião de terça-feira com autoridades iranianas foi positiva, mas não trouxe avanço nas negociações. O movimento do petróleo também foi associado às incertezas sobre a oferta da commodity e às tensões entre Washington e Teerã.







