A recuperação parcial do iene ocorre em meio à pressão do dólar e às dúvidas sobre o ritmo de alta dos juros no Japão. A ministra japonesa das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou nesta sexta-feira, 25, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou preocupação com a desvalorização da moeda em uma reunião recente com a primeira-ministra Sanae Takaichi.
Tóquio e Washington atuaram conjuntamente no mercado cambial depois que o iene alcançou, no fim de julho, seus níveis mais fracos em 40 anos diante do dólar. Desde então, uma elevação dos juros pelo Banco do Japão (BoJ) e a expectativa de novos aumentos ajudaram a moeda a recuperar parte do valor.
A alta dos juros também reduziu a atratividade do iene como moeda de financiamento em operações de carry trade. Mesmo assim, a força do dólar e o aperto monetário do Federal Reserve voltaram a pressionar a moeda japonesa.
Reunião tratou de segurança econômica
Katayama falou em uma entrevista coletiva em Tóquio. No início da semana, Takaichi se reuniu com Trump durante uma agenda que incluiu discussões sobre segurança econômica. A primeira-ministra havia estado em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU.
Para Claudio Wewel, estrategista do banco J. Safra Sarasin, a recuperação do iene ocorre sobre uma base frágil. Segundo ele, sinais de que o BoJ pode elevar os juros mais rapidamente começam a enfraquecer a percepção de que o banco central atua lentamente, visão que há anos pesa sobre a moeda.
Wewel também disse que reações recentes do mercado indicam que o BoJ ainda pode estar atrás de outros bancos centrais do grupo G10. Stefan Angrick, da Moodys Analytics, afirmou que vários bancos centrais, inclusive de países vizinhos do Japão, adotaram uma postura mais dura. Para ele, nesse cenário, altas dos juros japoneses podem não diminuir tanto quanto se esperava no início do ano a diferença em relação ao restante do mundo.








