Aproximadamente um terço das empresas industriais consultadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) espera aumento do saldo da dívida bancária. O percentual, de 32%, faz parte da terceira edição da Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, realizada em agosto.
A pesquisa também indica maior necessidade de financiamento para atividades operacionais. Entre as empresas ouvidas, 56% projetam aumento dos recursos destinados a contas a pagar, 50% para estoques e 49% para contas a receber.
Custos financeiros e margem
A expectativa de alta dos juros aparece nas três modalidades. Nas contas a receber, 46% das empresas preveem aumento, enquanto 7% esperam redução. Para os estoques, 50% projetam elevação do custo financeiro. Já nas contas a pagar, 42% antecipam juros maiores.
Entre as empresas que esperam ampliar a demanda por recursos, 60% ou mais projetam aumento dos juros nas modalidades correspondentes. Para a CNI, a combinação entre maior procura por crédito e custos mais altos amplia a pressão sobre o caixa.
Mais da metade das empresas consultadas, ou 57%, prevê redução da margem líquida — proporção do lucro líquido em relação ao faturamento total. Desse grupo, 14% esperam uma queda forte. Apenas 19% estimam melhora.
Apesar desse cenário, 53% planejam manter os preços de venda e 35% pretendem aumentá-los. A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, afirmou que os juros influenciam tanto o capital de giro quanto decisões de longo prazo, como contratar, substituir máquinas e ampliar a capacidade de produção.
A parcela que previa aumento do endividamento bancário caiu de 45% em junho para 32% em agosto. No mesmo período, a intenção de elevar preços recuou de 51% para 35%, enquanto a expectativa de redução da margem líquida passou de 64% para 57%.
A CNI consultou 179 empresas industriais entre os dias 18 e 28 de agosto de 2026. As empresas pertencem a 28 setores industriais e estão distribuídas por 21 unidades federativas do Brasil.








