Os juros futuros encerraram a sexta-feira (4) em leve queda, depois de perder força durante a tarde. O movimento ocorreu mesmo com a pressão vinda do exterior após dados acima do esperado sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. No mercado doméstico, a percepção de uma disputa presidencial mais equilibrada voltou a favorecer a redução das taxas de médio e longo prazo.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,57%, no ajuste anterior, para 13,575%. O DI com vencimento em janeiro de 2028 recuou de 13,595% para 13,585%. Para janeiro de 2029, a taxa caiu de 13,885% para 13,855%, enquanto o contrato de janeiro de 2031 passou de 14,14% para 14,095%.
No exterior, a T-note de dois anos avançava de 4,351% para 4,372% no fim do pregão em Nova York. A taxa do título de dez anos subia de 4,773% para 4,789%.
O relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, referente a agosto, registrou geração líquida de 162 mil vagas, acima das 53 mil projetadas pelo mercado. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, e o salário médio por hora aumentou 0,3% em relação a julho.
Os dados elevaram a probabilidade de alta dos juros pelo Federal Reserve neste mês. Levantamento do CME Group indicava 58,4% de chance de aumento de 0,25 ponto percentual no dia 16, contra 41,6% de possibilidade de manutenção. No dia anterior, as probabilidades eram de 50,6% e 49,4%, respectivamente.
No Brasil, participantes do mercado atribuíram parte relevante do movimento ao cenário político. A avaliação era de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia ganhado força e poderia derrotar Luiz Inácio Lula da Silva no pleito presidencial de outubro. Pesquisa Datafolha divulgada no dia anterior apontou Lula com 46% das intenções de voto contra 44% de Flávio em uma simulação de segundo turno. A diferença ficou dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.
A crise envolvendo Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), também foi apontada como fator de fortalecimento de Flávio. Em relatório, profissionais da 4intelligence afirmaram que “a maior parte do eleitorado associa Moraes ao campo petista”.
Operadores de renda fixa relataram ainda a volta de posições estrangeiras que apostam na queda dos juros prefixados, principalmente em papéis de longo prazo. Um operador de um banco local disse que os estrangeiros acumularam quase US$ 700 mil em DV01 nos dois últimos dias, sobretudo em posições relacionadas à NTN-F com vencimento em 2031, movimento associado a uma tentativa de não ficar de fora da valorização.







