O mercado financeiro deverá acompanhar com mais atenção a eleição presidencial nas próximas semanas, principalmente para estimar o grau de ajuste fiscal que será adotado pelo futuro presidente e os nomes escolhidos para a equipe econômica. A avaliação é do economista e analista da Empiricus Matheus Spiess.
Para Spiess, pesquisas eleitorais, definição do vencedor e formação da equipe econômica serão etapas relevantes para a transição. O mercado também tentará entender como o próximo governo pretende equilibrar as contas públicas. “Vai ser etapa por etapa”, afirmou o economista em conversa com Paula Comassetto e Gustavo Porto.
Impacto nos ativos
Na avaliação de Spiess, a consolidação de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato competitivo, com possível vitória, poderia provocar uma alta expressiva dos ativos brasileiros. Ele afirmou que voltou a haver, entre participantes do mercado, a expectativa de um chamado trade eleitoral, com os preços incorporando uma possibilidade maior de ajuste fiscal.
O economista disse que um ajuste fiscal considerado mais firme poderia produzir uma reação diferente daquela esperada caso o atual governo seja mantido. Nesse cenário, um ajuste com “contornos de puxadinho” poderia provocar movimentos positivos e negativos em ações e câmbio.
A mudança no favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas semanas também teria elevado a possibilidade de um ajuste fiscal mais rigoroso, com reflexos principalmente na B3. Spiess ponderou, porém, que ainda haverá oscilações ao longo da disputa. Faltam 19 dias para o segundo turno e 40 dias para um eventual segundo turno, conforme o calendário considerado na avaliação.
Além da questão fiscal, o economista citou a necessidade de tratar problemas institucionais, como uma reforma estrutural voltada ao aumento da produtividade. Segundo ele, essas medidas teriam efeitos ao longo de décadas, mas devem ficar em segundo plano diante da urgência do ajuste fiscal.
Spiess também destacou a importância das pesquisas e da intenção de voto em estados e regiões-chave. Resultados definidos no primeiro turno poderiam alterar a abstenção no segundo turno. Para ele, o comportamento dos candidatos vencedores nas disputas regionais, do eleitorado independente e de grupos específicos poderá influenciar a decisão final. “Como a eleição está muito apertada, esses pequenos votos vão decidir”, disse.







