O avanço de 3,36% do petróleo Brent para novembro, que fechou a US$ 101,21 o barril, orientou os negócios desta quarta-feira (9) e contribuiu para a queda do Ibovespa. A commodity é negociada na Intercontinental Exchange de Londres (ICE) e voltou ao teto registrado no fim de julho.
O principal índice da Bolsa brasileira terminou aos 185.629,04 pontos, com baixa de 0,93%. Apesar de ter se afastado das mínimas ao longo do pregão, permaneceu no campo negativo até o encerramento. Na sessão, a Petrobras foi a única ação entre as blue chips a registrar alta.
A valorização do petróleo levou investidores globais a ajustar suas carteiras diante do receio de efeitos inflacionários. Rodrigo Knudsen, sócio da Portogallo Family Office, afirmou que os ativos devem continuar oscilando enquanto não houver uma definição sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã e sobre a eleição brasileira.
Na última hora do pregão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro e sobre o etanol em R$ 0,19 por litro, zerando a tributação do produto. Lula também assinou uma Medida Provisória com previsão de alívio de mais R$ 1 por litro do diesel.
Para especialistas e analistas, as medidas tiveram efeito limitado sobre a renda variável local. Rodrigo Alvarenga, sócio da One, disse que o petróleo mais caro reduz o espaço para cortes de juros ao elevar a inflação e que o desempenho do setor está mais ligado à valorização da commodity do que às ações do governo.
Lucas Tambellini, head de renda variável da Lifetime, afirmou que o mercado mudou pouco após o anúncio. Ele também avaliou que a Bolsa pode avançar adiante, pois continua com um valuation bem descontado. O movimento de fuga do risco foi associado por ele ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã.







